
25/07/2017
Jacarepaguá recebeu esse nome por causa dos inúmeros jacarés que viviam na região. Em Tupi, significa “vale dos jacarés”. Com o tempo, os animais foram sendo expulsos de seu habitat e empurrados para as margens das lagoas. Hoje, eles são figurinhas fáceis no bairro vizinho, o Recreio, e, muitas vezes, vão passear nas ruas e nos quintais dos moradores. Mas se engana quem pensa que os répteis estão se multiplicando. Na verdade, o número de animais vem caindo ao longo dos últimos anos, e a espécie está ameaçada de extinção no Rio.
Para o biólogo Ricardo Filho, que há quase duas décadas monitora os jacarés na Zona Oeste, vários fatores explicam essa redução. Ele cita a poluição, o encolhimento de seu habitat natural, o excesso de animais machos e até a alimentação inadequada jogada pelas pessoas. No início da noite da última quinta-feira, quatro adolescentes se divertiam jogando biscoito para os répteis no Canal das Tachas, que integra o Complexo Lagunar de Jacarepaguá.
— Nós vemos jacarés gordos, mas aquilo não é uma gordura saudável. Muitas vezes, há um estufamento dos órgãos. As pessoas pensam que estão ajudando os animais ao jogarem alimentos. Mas, na verdade, estão matando. Não é legal alimentar os bichos, seja com filé mignon ou com biscoito — explicou Ricardo Filho, fundador do Instituto Jacaré, empresa de consultoria ambiental.
Devido ao acesso fácil à comida, os animais acabam se concentrando em um determinado ponto do Canal das Tachas, dando a impressão de que há mais répteis no local. Mas eles não estão se reproduzindo mais. De acordo com o biólogo, a espécie jacaré-de-papo-amarelo até corre risco de extinção no município do Rio, embora não esteja ameaçada em classificação nacional ou internacional alguma.
Moradora da comunidade do Terreirão, às margens do canal, Maria de Fátima Barbosa, de 56 anos, disse que já contou mais de 14 jacarés no local:
— Não sinto medo deles, mas não gosto quando as pessoas jogam comida, porque incentivam os animais a não saírem desse trecho.
A Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente atuou no entorno do Canal das Tachas, em março deste ano, e montou uma estrutura de concreto de 741 metros para evitar, de forma provisória, a saída de jacarés do curso da água.
— Além do cercamento, iniciamos campanha educativa para que a população entenda que é prejudicial alimentar os animais. Esse hábito inibe as habilidades e o comportamento natural para conseguirem comida. E estimula os répteis a seguirem para áreas residenciais, sem contar que uma comida inadequada pode provocar a alteração do metabolismo do animal — disse o secretário de Conservação e Meio Ambiente do Rio, Rubens Teixeira.
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