
04/07/2017
No início deste ano, as florestas da região de El Maule, no centro do Chile, foram devastadas pelos piores incêndios já registrados na história. No lugar das árvores milenares, troncos caídos. As aves desapareceram, morreram ou fugiram das chamas que em todo o país lamberam mais de 467 mil hectares e mataram 11 pessoas. Numa iniciativa inédita, três cadelas estão sendo usadas para despejar sementes e acelerar a recuperação das áreas queimadas.
Desde março, as fêmeas de border collie Das, Olivia e Summer estão trabalhando na região espalhando sementes de árvores e plantas nativas, para recuperar o bosque e atrair os animais selvagens que deixaram a região.
— O objetivo principal é que a fauna possa retornar — disse Francisca Torres, de 32 anos, dona das três cadelas, em entrevista à AFP.
No lombo, as cadelas carregam mochilas cheias de sementes, que escorrem entre orifícios enquanto os animais correm e saltam, sem notarem a tarefa hercúlia que realizam. Quando as bolsas se esvaziam, elas retornam para Francisca, que trabalha como adestradora treinando cães para pessoas com deficiência, para receber uma recompensa e reabastecer as sementes.
Francisca é diretora da Pewos, uma comunidade virtual defensora dos animais com mais de 26 mil membros. Todo o trabalho de reflorestamento está sendo bancado por ela e a ajuda de doadores. A adestradora explica que os border collies estão entre os cachorros mais inteligentes, e com sua energia e agilidade, são ótimos para a função. Das, Olivia e Summer foram treinadas para atenderem os comandos de Francisca e a não atacarem animais silvestres.
Nos últimos três meses, Francisca e suas cadelas já semearam 15 bosques na região de El Maule, e em alguns deles as sementes já começaram a brotar. Por sua agilidade, os cães conseguem percorrer até 30 quilômetros em um dia, despejando 10 quilos de sementes, enquanto um homem é capaz de semear apenas três quilômetros por dia.
— Passamos por alguns prados que já estão completamente verdes, graças ao trabalho de Summer, Olivia e Das — contou a orgulhosa treinadora.
A expectativa de Francisca é que com a chegada da primavera e do verão, as sementes já tenham germinado e alguns animais, como raposas, insetos, beija-flores, lagartos, macacos e lebres comecem a retornar aos bosques. E os prados devastados pelas chamas recuperem pastos para vacas, cavalos e carneiros de agricultores que foram afetados pelos incêndios.
As flores devem começar a desabrochar na primavera, atraindo as abelhas, reiniciando o ciclo de polinização.
— A situação é crítica porque elas não têm comida. As abelhas, nesta época, se alimentam de algumas árvores nativas que ainda têm flores, mas no momento não há nada — disse Constanza, irmã de Francisca.
A esperança é que, com a ajuda das cadelas, em cinco anos os bosques e prados recuperem o ecossistema que existia antes dos incêndios.
Fonte: O Globo
VÍDEO: baleia franca e filhote ´dançam´ em flagra de fotógrafo no Arpoador
06/08/2026
Após ´alerta severo´ da Defesa Civil, entenda se ciclone bomba pode atingir o Rio
06/08/2026
Especialistas indígenas preservam abelhas nativas sem ferrão em SP e fazem alerta
06/08/2026
Turismo de avistamento de baleias tem regras, e especialistas defendem melhor fiscalização
06/08/2026
Baleia-jubarte passa debaixo de caiaque e surpreende grupo no ES: ´Achei que ia me derrubar´, diz instrutor; assista VÍDEO
06/08/2026
Embalagem flexível é principal rejeito em cooperativas de reciclagem
06/08/2026
