
27/06/2017
Por serem vistos como uma das soluções para a redução de emissões de gases-estufa, os carros elétricos recebem incentivos de alguns governos, mas de acordo com um estudo do Instituto Econômico de Montreal, no Canadá, essa é uma forma ineficiente de lidar com a questão do aquecimento global.
— É simplesmente um desperdício — disse à AFP Germain Belzile, um dos autores do estudo divulgado nesta quarta-feira, que analisou os subsídios a carros elétricos oferecidos pelas duas maiores províncias do Canadá, Ontário e Quebec, que podem chegar a até um terço do valor do veículo, dependendo do modelo. — Esses programas não só custam aos contribuintes uma fortuna, mas também têm pouco efeito sobre as emissões de gases de efeito estufa", acrescentou.
Isso não significa que a substituição da frota de automóveis por veículos elétricos não reduza as emissões, mas os custos não justificam os programas. O governo de Quebec tem como meta ter um milhão de veículos elétricos e híbridos em suas estradas até 2030, em comparação com os atuais 6 mil. Ontário tem o mesmo objetivo.
Nesta base, disse Belzile, as emissões de carbono cairiam cerca de 3,6% em Quebec e 2,4% em Ontário. As duas províncias disseram que pretendem reduzir as emissões de CO2 em cerca de 37% até 2030, em relação aos níveis de 1990.
Quebec oferece subsídios de até 8 mil dólares canadenses para a compra de novos carros híbridos elétricos ou recarregáveis — que são significativamente mais caros do que os equivalentes a gasolina —, enquanto Ontário oferece reembolso de até 14 mil dólares canadenses no preço de compra.
O estudo estima que esses subsídios custam aos contribuintes 523 dólares canadenses por tonelada de gases de efeito estufa não emitidos em Ontário, e 288 dólares canadenses em Quebec. Em comparação, um sistema de limitação e comércio de emissões para grandes poluidores em Quebec e no estado americano da Califórnia, ao que Ontário deve se juntar em breve, custa apenas 18 dólares canadenses por tonelada.
Ao subsidiar as compras de veículos elétricos, Ontário e Quebec terminam gastando até 29 vezes e 16 vezes, respectivamente, o preço do mercado de carbono para cada tonelada de gases de efeito estufa eliminada.
“O bom senso, tanto do ponto de vista econômico como ecológico, argumenta em favor da redução desses subsídios, e até mesmo da sua eliminação”, conclui o estudo.
Fonte: O Globo
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