
22/06/2017
O alagamento de ruas em diversos pontos da cidade não foi o único problema causado pelas fortes chuvas que atingiram o Rio desde a tarde de terça-feira. Em uma série de vídeos postados no Facebook, o biólogo Mario Moscatelli denunciou, nesta quarta-feira, o grande volume de lixo que vazou nas lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca, após o rompimento de uma ecobarreira que impedia os dejetos de chegarem às águas da região. Moscatelli rodou de barco pelo sistema lagunar e constatou que era grave a situação. Nas gravações do biólogo, é possível observar vários pontos com concentração de garrafas PET e sacolas plásticas, além de gigogas, um tipo de planta que tem a função de limpar o ambiente e se multiplica em locais poluídos.
No vídeo gravado na Lagoa do Camorim, com duração de quase cinco minutos, até mesmo um televisor e uma caixa d´água podem ser vistos. Na Lagoa da Tijuca, que é classificada por Moscatelli como a que está em situação mais grave, o biólogo observou seis geladeiras flutuando na água, sendo duas delas registradas em vídeo. O rompimento da ecobarreira, instalada no ano passado na região, fez com que o lixo se espalhasse. Caso o material despejado não seja retirado ou retido por uma nova barreira, poderá chegar à Praia da Barra.
- Essa ecobarreira que foi instalada no ano passado na Lagoa da Tijuca, e que antes estava na Baía de Guanabara, deveria ser uma solução temporária. Porém, como tudo no país, acabou se tornando definitiva. Com o rompimento da barreira, todo aquele volume de lixo que estava contido se espalhou pelas lagoas. A primeira barreira que havia aqui, feita de metal e material flutuantes, era muito mais robusta, mas a falta de manutenção a fez afundar, o que só piorou a situação na região - critica Moscatelli, destacando ainda que a Lagoa de Marapendi, que também fica na região, está entre as menos afetadas pela poluição.
O biólogo comenta que já entrou em contato com a Secretaria estadual do Ambiente, responsável pelas lagoas da Barra da Tijuca, e com a Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente, para pedir a instalação de ecobarreiras em rios da região que são conectados às lagoas. No entanto, os planos para controle e redução de poluição nunca saíram do papel. Moscatelli também aponta a ocupação desordenada na Barra e em Jacarepaguá como um fator preponderante para o agravamento do acúmulo de lixo.
- A tecnologia para enfrentar esse cenário desolador existe, mas falta vontade política para resolver o problema. Já fiz diversas denúncias sobre a poluição dos rios e lagoas da Barra, mas a negligência é a mesma de 20 ou 30 anos atrás. Não podemos ignorar que a ocupação desordenada também é determinante para que esse volume de lixo seja jogado nos rios. As lagoas, que deveriam ser recuperadas e eram vendidas como um legado olímpico, estão agonizando, em estado terminal - dispara.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente disse que, embora a responsabilidade pelos rios e lagoas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá seja do governo estadual, fará esforços para atuar em conjunto na recomposição das ecobarreiras, em reconhecimento à crise econômica enfrentada pelo estado.
Em nota, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que "o cabo de aço que segura a ecobarreira localizada na Lagoa da Tijuca se rompeu devido à forte chuva que atingiu o Rio de Janeiro". A entidade também disse que uma equipe do instituto "está providenciando a troca do cabo para evitar que novos resíduos sólidos cheguem ao mar."
Fonte: O Globo
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