
01/06/2017
O presidente dos EUA, Donald Trump, deve retirar os EUA do Acordo de Paris, informaram funcionários da Casa Branca à Associated Press. Entretanto, ressaltam as fontes, existe a possibilidade de a decisão não ser final. A informação também foi confirmada pelo “New York Times” e pelas emissoras Fox News e CBS, e pelo site Axios, o mesmo que noticiou nesta segunda-feira que Michael Dubke deixaria o cargo de diretor de Comunicação da Casa Branca.
Pelo Twitter, Trump não negou nem confirmou a informação, mas afirmou nesta quarta-feira que irá anunciar “sua decisão sobre o Acordo de Paris nos próximos dias”. Caso a saída se confirme, os EUA se juntarão a Síria e Nicarágua como os únicos países a não aderirem ao Acordo de Paris, mas existe o temor de que a retirada do segundo maior poluidor do planeta — atrás apenas da China — influencie outros países.
— As ações dos EUA podem ter um efeito sobre outras economias emergentes que estão apenas começando a se preocupar sobre as mudanças climáticas, como Índia, Filipinas, Malásia e Indonésia — disse Michael Oppenheimer, pesquisador da Universidade de Princeton e membro do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas, em entrevista ao “New York Times”. — Agora é muito mais provável que vamos quebrar o limite perigoso de 3,6 graus Celsius (de aquecimento).
Detalhes sobre como a saída será executada estariam sendo discutidos por um pequeno time, que inclui o administrador da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt. Segundo as fontes, falta ser decidido se a retirada será formal, num processo que poderia levar 3 anos, ou se os EUA deixarão um tratado subjacente sobre mudanças climáticas, que seria mais rápido, mas extremo.
O Acordo de Paris reúne 195 países com o objetivo de frear o aquecimento do planeta, limitando as emissões de gases do efeito estufa. Segundo o pacto, os EUA se comprometeram a reduzir até 2025 suas emissões entre 26% e 28% em relação aos níveis de 2005. Para especialistas, a provável decisão de Trump de retirar os EUA do acordo pode prejudicar a credibilidade americana no cenário internacional e enfraquecer a administração Trump em outras negociações além das mudanças climáticas, como questões comerciais e o combate ao terrorismo.
— Da perspectiva de política internacional, é um erro colossal — disse Nicholas Burns, diplomata aposentado que serviu à administração do ex-presidente George W. Bush. — É uma abdicação da liderança americana. O sucesso da nossa política externa — comercial, militar e em outras negociações — depende da nossa credibilidade. Eu não consigo pensar em nada mais destrutivo para a nossa credibilidade que isso.
Até Trump assumir o governo, os EUA exerceram papel de liderança na construção do Acordo de Paris, com o ex-presidente Barack Obama negociando diretamente com os chineses a participação das duas nações mais poderosas e poluidoras do planeta. O pacto, firmado em dezembro de 2015 em Paris, é considerado um marco no combate ao caos climático e tem como objetivo limitar o aquecimento global em 2 graus Celsius em relação às temperaturas pré-industriais.
A matéria pode ser lida em O Globo
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