
23/05/2017
Uma pesquisa divulgada recentemente pela revista “Science Advances” negou a desaceleração no aquecimento global, alardeada por cientistas que negam a existência das mudanças climáticas.
De acordo com o levantamento, a temperatura global teve um aumento expressivo entre 1998 e 2012, período que ficou conhecido como “hiato climático”, porque o aquecimento do planeta teria sido inferior ao de décadas atrás. Segundo os defensores da teoria, esta seria uma prova de que a elevação dos termômetros é um fenômeno natural, e não uma consequência de ações humanas.
Ao medir a temperatura média global durante o “hiato”, diversos grupos de pesquisa levaram em conta somente a temperatura da superfície do ar, desconsiderando aquela vista nos oceanos. Autora chefe do novo estudo, Iselin Medhaug, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, destaca que fenômenos climáticos extremos, como o El Niño, empurram o calor para outro local, sem que ele deixe de existir — assim, a quentura varrida pelas rajadas de vento foi armazenada no mar, distante da maioria dos sensores.
Estudos recentes mostraram a necessidade de melhorar a detecção da temperatura por boias no oceano. No período do “hiato”, a leitura da temperatura dessas estruturas revelou valores que eram inferiores à realidade.
Outras regiões cruciais no estudo das mudanças climáticas não mereceram a atenção necessária. Uma fração do Ártico, que é mais sensível ao aquecimento global, ainda tem monitoramento precário de suas temperaturas. Quando todos os dados são reajustados, verifica-se que o aumento dos termômetros seguiu a alarmante tendência de crescimento dos anos anteriores.
A equipe de Iselin também se queixa sobre a decisão de marcar o ano de 1998 como o início do “hiato” — foi um momento de El Niño, portanto seria natural que a temperatura caísse após bater um registro recorde.
Mesmo com tantas falhas, a história do “hiato” convenceu muitos especialistas. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas afirmou, em 2013, que o ritmo do aquecimento global havia sido reduzido nos 15 anos anteriores.
— É muito difícil detectar a variabilidade natural do clima e as mudanças na circulação oceânica — admite Paulo Artaxo Netto, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. — A queima de combustíveis fósseis emite 40 gigatoneladas de gases de efeito estufa por ano para a atmosfera. A concentração desta substância mais do que dobrou desde 1850.
Leia mais em O Globo
VÍDEO: baleia franca e filhote ´dançam´ em flagra de fotógrafo no Arpoador
06/08/2026
Após ´alerta severo´ da Defesa Civil, entenda se ciclone bomba pode atingir o Rio
06/08/2026
Especialistas indígenas preservam abelhas nativas sem ferrão em SP e fazem alerta
06/08/2026
Turismo de avistamento de baleias tem regras, e especialistas defendem melhor fiscalização
06/08/2026
Baleia-jubarte passa debaixo de caiaque e surpreende grupo no ES: ´Achei que ia me derrubar´, diz instrutor; assista VÍDEO
06/08/2026
Embalagem flexível é principal rejeito em cooperativas de reciclagem
06/08/2026
