
09/05/2017
As negociações sobre mudanças climáticas iniciadas em 2015, com o Acordo de Paris, serão retomadas esta segunda-feira em Bonn, na Alemanha. A reunião dos 196 países que participaram da elaboração do documento ocorrerá em meio à ameaça do governo americano de retirar-se do pacto internacional, cujo objetivo é limitar o aquecimento do planeta.
— Precisamos definir as operações do Acordo de Paris antes da próxima Conferência do Clima (COP-23), que será realizada no fim do ano — alerta David Levai, investigador do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e de Relações Internacionais.
Na COP-21, em Paris, 195 países e a União Europeia concordaram em limitar o aumento da temperatura global a, no máximo, 2 graus Celsius. A Palestina anunciou a adesão ao acordo depois. Para não ultrapassar esta marca, será necessária, entre outras medidas, uma radical transição energética, que substitua os combustíveis fósseis (carvão e petróleo) por fontes renováveis (biomassa, solar, eólica).
Em novembro do ano passado, na COP-22, em Marrakesh (Marrocos), as negociações foram afetadas pela eleição do presidente Donald Trump, autodeclarado cético em relação às mudanças climáticas. Desde então, a Casa Branca tem enviado sinais ambíguos sobre o assunto, mas já começou a desmantelar a política ambiental aplicada por Barack Obama.
Os EUA deveriam anunciar, ainda este mês, que medidas pretende tomar para limitar o aquecimento global. As mudanças climáticas seriam um dos principais itens da pauta do próximo encontro do G-20, em julho, na Alemanha. Os países que compõem o grupo são responsáveis por 75% da emissão de poluentes à atmosfera.
Thoriq Ibrahim, ministro do Meio Ambiente das Maldivas, anunciou que a reunião em Bonn, que vai se estender até o dia 18 de maio, será "muito técnica", mas "a especulação sobre a posição de Washington figura entre os pontos mais altos de nossas preocupações".
Para que o Acordo de Paris possa ser plenamente implementado a partir de 2020, vários itens devem ser resolvidos. Entre eles, as definições sobre que políticas climáticas serão tornadas públicas por cada país, e que projetos de combate ao aumento da temperatura receberão financiamento internacional.
As normas resultarão na redação de um "manual" sobre o Acordo de Paris, que deve ser finalizado até a COP-24, na Polônia, em 2018.
A execução de todos os projetos divulgados será voluntária. Os climatologistas preocupam-se porque as metas anunciadas em Paris levariam a um aumento da temperatura global de 3 graus Celsius em relação à era pré-industrial, um nível muito acima do desejado.
Fonte: O Globo
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