
25/04/2017
Pesquisadores de mais de 500 cidades do planeta vão protestar neste sábado, Dia Internacional da Terra, pela valorização da produção de conhecimento científico. A mobilização começou nos Estados Unidos e é apontada como uma reação às posturas adotadas pelo presidente Donald Trump, como o descrédito em relação às mudanças climáticas. No Brasil, os cientistas aproveitaram o gancho para reivindicar mais recursos para a área, que vem sofrendo cortes.
“A ciência nos dá a capacidade de examinar questões, permitindo-nos criar melhores políticas e regulamentos que sirvam aos nossos melhores interesses. A tomada de decisões políticas que afetam a vida dos americanos e do mundo em geral deve fazer uso de evidências revisadas por pares e que sejam do consenso científico, não de caprichos e decretos pessoais”, critica um dos documentos feitos pelos organizadores da Marcha, nos EUA.
A comunidade científica brasileira, por sua vez, reivindica maior valorização da área, sobretudo em termos financeiros. No mês passado, o presidente Michel Temer contingenciou R$ 2,5 bilhões do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Os pesquisadores argumentam que a medida será um atraso para o país que, em 2015, teve cerca de 61 mil artigos científicos publicados, ficando em 13º lugar no ranking mundial de produção científica.
— A expectativa é conseguir dialogar com a sociedade, explicar qual a função da ciência, por que ela é importante, o que ela tem feito para o Brasil. Também aproveitamos para chamar atenção do governo. Infelizmente tivemos esse novo contingenciamento de recursos. Enquanto o país encarar educação, ciência e inovação como gasto e não como investimento, vamos andar para trás — sublinha a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Helena Nader.
A comunidade científica brasileira, por sua vez, reivindica maior valorização da área, sobretudo em termos financeiros. No mês passado, o presidente Michel Temer contingenciou R$ 2,5 bilhões do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Os pesquisadores argumentam que a medida será um atraso para o país que, em 2015, teve cerca de 61 mil artigos científicos publicados, ficando em 13º lugar no ranking mundial de produção científica.
Se o contexto do país é difícil, a situação das pesquisas no estado do Rio é ainda mais crítico. Com a crise, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), uma das principais financiadoras de estudos, vive uma rotina de atrasos nos pagamentos de bolsas.
Diante dessa realidade, os organizadores da marcha carioca resolveram fazer um “tesouraço”, em alusão aos cortes promovidos tanto no âmbito nacional, quanto no estadual. O protesto, que acontecerá na Quinta da Boa Vista, na Zona Norte do Rio, às 10h, terá como som ambiente uma trilha feita especialmente para o evento, composta por ruídos produzidos por tesouras. Os organizadores pedem ainda que cada manifestante leve uma tesoura sem ponta ou uma réplica feita de papelão.
Saiba mais em O Globo
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