
13/04/2017
O mar da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, amanheceu com uma faixa verde clara de sete quilômetros de extensão - que ia do Quebra-Mar ao condomínio Alfabarra - e cerca de um quilômetro de largura. O biólogo Mario Moscatelli, do Projeto Olho Verde, sobrevoou a região nesta terça-feira e, segundo ele, a mancha é formada por cianobactérias da Lagoa de Jacarepaguá, que chegaram até a Barra devido à maré baixa e ao vento. De acordo com ele, a situação não é nova, mas o tamanho da faixa de poluição impressiona.
- Em 20 anos de monitoramento ambiental nessa região, eu nunca vi uma mancha com uma extensão tão grande. São cianobactérias, micro-organismos que se reproduzem no esgoto e, dependendo da espécie, podem ser tóxicas e causar até câncer de fígado - explica o biólogo.
Moscatelli chamou as lagoas da Baixada de Jacarepaguá de latrinas e defendeu a interdição do trecho da Praia da Barra:
- As pessoas vão à praia para se divertir, olham aquela água verde abacate, entram na água e voltam para casa com hepatite. Tudo de podre que vem de dentro das lagoas de Jacarepaguá acaba escoando na praia com a maré baixa. É cada vez mais esgoto na lagoa, nem as espécies de animais mais resistentes estão sobrevivendo diante da poluição. Se as autoridades não fizerem nada, as praias vão acabar.
O biólogo também fez imagens das águas da Marina da Glória, na Zona Sul carioca, e, segundo ele, estão tomadas pelo esgoto. No local existe, há um ano, uma tubulação instalada pela Cedae para conter o esgoto.
Quando essa galeria foi inaugurada, em abril do ano passado, o governo classificou a obra como uma das mais importantes para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio. As imagens feitas nesta terça-feira, no entanto, mostram um cenário bem diferente do prometido.
- É esgoto puro jogado na Marina da Glória, e a obra não tem nem um ano. Aquilo não é água de chuva. Isso já deixou de ser um caso de meio ambiente para virar caso de polícia - reclamou Moscatelli.
Em relação à Marina, a Cedae informou que o sistema de captação em tempo seco da companhia está operando normalmente. O que pode ter ocorrido foi um aumento súbito da vazão causado por descarga via galeria de águas pluviais, com possível origem em prédio ou obra na região, que possa ter realizado rebaixamento de lençol freático ou limpeza, por exemplo. Técnicos da Cedae estão neste momento vistoriando o sistema para tentar identificar a origem do problema.
Já o Instituto do Ambiente (Inea) informou que mandará uma equipe para verificar o que ocorre na região da Marina.
Sobre a mancha na Praia da Barra, o Inea atribuiu a coloração da água à “maré de sizígia”, ou seja, quando há uma maior amplitude das marés. Em nota, o instituto disse que “na ocorrência da maré vazante (baixa), hoje (ontem) prevista em 0,2m, as águas das lagoas da Barra escoam sobre o oceano e sobre a Praia da Barra. Os movimentos de maré ocorrem todos os dias e se tornam mais visíveis nas marés de sizígia (em luas cheia e nova). Já a diferença de coloração ocorre pelo encontro das águas das lagoas com as águas oceânicas. As lagoas recebem a contribuição de matéria orgânica natural e antrópica (esgotos) dos rios da sua bacia drenante, além de apresentarem, principalmente durante o período de verão, o crescimento de microalgas (cianobactérias), que conferem a coloração esverdeada nas suas águas”.
O Inea informou ainda que monitora o Complexo Lagunar de Jacarepaguá mensalmente, e as praias, incluindo a da Barra no encontro com o quebra-mar, duas vezes por semana. O instituto acrescenta que todos os resultados e boletins estão disponíveis em seu site.
Fonte: O Globo
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