
11/04/2017
Pelo segundo ano consecutivo, a Grande Barreira de Corais, na Austrália, sofre com o fenômeno conhecido como branqueamento, que já danificou dois terços do maior conjunto de recifes do mundo. Por meio de levantamento aéreo, cientistas identificaram danos “sem precedentes”, que cobrem extensão de 1.500 quilômetros, e o temor é que o ecossistema não consiga se recuperar.
— O impacto combinado desses branqueamentos consecutivos se estende por 1.500 quilômetros, deixando apenas o terço sul ileso — disse Terry Hughes, diretor do ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies, que gerenciou levantamentos aéreos em 2016 e 2017. — O branqueamento foi causado por temperaturas recordes provocadas pelo aquecimento global. Neste ano, 2017, nós estamos presenciando um branqueamento em massa, mesmo sem as condições do El Niño.
O levantamento aéreo deste ano cobriu mais de 8 mil quilômetros, e observou atentamente 800 recifes individuais, numa repetição das pesquisas conduzidas no ano passado. James Kerry, que também participou ao lado de Hughes dos sobrevoos, explica que “esta é a quarta vez que a Grande Barreira de Corais sofre com o branqueamento severo: em 1998, 2002, 2016 e agora em 2017. Os corais esbranquiçados não são necessariamente corais mortos, mas na região central nós prevemos altos níveis de perdas de corais”.
Em todo o mundo, recifes que ostentavam corais coloridos e ecossistemas vibrantes estão se transformando em cemitérios brancos e desolados. A mortandade por causa do branqueamento de corais se tornou mais frequente com o aumento das temperaturas dos oceanos, provocado pela maior concentração de gases-estufa na atmosfera.
A água quente estressa os corais, forçando-os a expelir as algas coloridas que vivem dentro deles. Com isso, eles ficam vulneráveis a doenças fatais. Com o tempo, os corais branqueados podem se recuperar com o retorno das temperaturas aos níveis normais, mas se o aquecimento se mantiver por muito tempo, como o que está acontecendo na Austrália, o coral morre.
— Demora no mínimo uma década para uma recuperação total até mesmo dos corais que crescem mais rápido, então dois eventos de branqueamento em massa num intervalo de 12 meses oferece perspectiva zero de recuperação para os recifes que foram danificados em 2016 — constatou Kerry.
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