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A Mata do Pai Ricardo, um tesouro em plena Floresta da Tijuca

21/02/2017

Quando deixado em paz, o tachi (Tachigalia paratyensis) alcança 25 metros, mais alto do que alguns prédios que se erguem não muito longe dele. Mas o tachi em questão é ainda arbusto, e sua presença marca a entrada num dos caminhos que levam à Floresta Atlântica em toda a sua glória - onde o céu é verde e o solo, escuro. O tachi vive na Mata do Pai Ricardo, um quinhão do Parque Nacional da Tijuca voltado para a Zona Sul. De nome encantado e origem misteriosa, cientistas vêem nela quase magia, manifestada em regeneração natural da Mata Atlântica, que impressiona pela velocidade e a riqueza.
- A Mata do Pai Ricardo é um tesouro. A diversidade é maior, as árvores são muito grandes, a copa é fechada. Um patrimônio do Rio. Essa floresta é um pedaço de Mata Atlântica em seu desenvolvimento máximo. Não é reflorestamento. Nenhuma outra metrópole do mundo tem algo igual - afirma Rogério Ribeiro do Oliveira, professor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio e um dos maiores especialistas na Floresta da Tijuca.
Pedaço de Mata Atlântica em seu desenvolvimento máximo, é uma expressão de rigor científico que se traduz em mata original, aquela que já existia antes da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro entrar no mapa e transformar a paisagem. O Pai Ricardo dissolve o mito de que a Floresta da Tijuca é somente obra e graça do trabalho do homem. Partes inteiras de mata são remanescentes de florestas antigas. Outras partes foram reflorestadas em 1860. Mas a Mata do Pai Ricardo é a joia da coroa delas, ela exala mistério.
Suas árvores estão entre as maiores e mais antigas da cidade - veneráveis gigantes acima de 20 metros de altura e centenas de anos de vida. Fica de frente para a Zona Sul, acima do Horto. Mas quase ninguém ouviu falar dela. Se estende por cerca de 200 hectares - ou 200 campos de futebol. E tem ainda o próprio Pai Ricardo, que deu nome à floresta, a um rio e a um morro e desapareceu na História sem deixar rastro.

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