
14/02/2017
Desde a descoberta do primeiro planeta extrassolar, isto é, que orbita outras estrelas que não nosso Sol, nos anos 1990, o foco principal dos cientistas tem sido encontrar um que seja o mais parecido o possível com a Terra. Assim, este planeta teria que ser relativamente pequeno e rochoso e estar na chamada “zona habitável”, inicialmente definida como a região do espaço na órbita de uma estrela em que ele não fique nem perto nem longe demais de modo que a temperatura na sua superfície não seja nem quente nem fria demais para que permita a existência de água em estado líquido, condição considerada essencial para o desenvolvimento ou sustento de vida como conhecemos.
Mas só orbitar dentro desta faixa, claro, não é suficiente para garantir que um planeta seja habitável. Prova disso está no nosso próprio Sistema Solar, onde Vênus e Marte também estariam teoricamente dentro desta região, mas o primeiro é um inferno onde a temperatura na superfície é capaz de derreter chumbo, enquanto o segundo é um deserto gelado onde a temperatura varia de -153º C nos polos a uma máxima de 20º C no equador durante o dia no auge do verão. E embora a situação nos nossos vizinhos cósmicos possa ser creditada mais às suas próprias características planetárias, como o tamanho reduzido demais de Marte ou o azar de um efeito estufa descontrolado em Vênus, do que exclusivamente à distância do Sol, os cientistas estão buscando refinar a definição da zona habitável para levar em conta outras características das estrelas.
E entre estes fatores a serem levados em consideração na busca por uma “Terra 2” estão o tipo, idade e atividade da estrela em torno da qual os planetas orbitam, como mostra estudo feito por pesquisadores da Nasa publicado esta semana. Segundo eles, mesmo que o planeta esteja numa distância ideal, erupções estelares frequentes, que lançam enormes quantidades de material e radiação no espaço, podem acabar com sua atmosfera e praticamente esterilizá-lo.
- Se quisermos achar um exoplaneta (como também são chamados os planetas extrassolares) que pode desenvolver e sustentar vida, precisamos descobrir quais estrelas são as melhores mães – resume Vladimir Airapetian, cientista solar do Centro de Voos Espaciais Goddard, da Nasa, e líder do estudo, publicado no periódico científico “The Astrophysical Journal Letters”. - E estamos cada vez mais perto de entendermos que tipo de estrelas-mãe precisamos.
Segundo os cientistas, o problema das erupções é mais grave no caso das estrelas de um tipo conhecido como anãs vermelhas, as menores, mais frias e numerosas no Universo e justamente onde as buscas pela Terra 2 se concentram atualmente por serem as que permitem detectar mais facilmente pequenos planetas rochosos com a tecnologia e os métodos disponíveis hoje.
- As anãs vermelhas têm a desvantagem de serem mais sujeitas a frequentes e poderosas erupções estelares que o nosso Sol – diz William Danchi, astrônomo no centro Goddard e coautor do estudo. - Para avaliar a habitabilidade de planetas em torno destas estrelas, precisamos entender como todos vários efeitos se equilibram.
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