
10/01/2017
Nativas do século XXI, as cápsulas de café representam um mercado em expansão no Brasil e no mundo, mas, ao que tudo indica, ainda falta ao produto uma qualidade importante nos tempos atuais: a sustentabilidade. Pesquisas realizadas, a pedido do GLOBO, pela associação de consumidores Proteste e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostram que o setor não se encarrega, como deveria, de providenciar uma destinação adequada a seus resíduos, conforme determinado pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS). De acordo com as pesquisas, apesar de a indústria classificar as cápsulas como objetos recicláveis, a reutilização do material é, hoje, praticamente inviável no Brasil.
Fora do país, o assunto vem rendendo questionamentos públicos. Este ano, a cidade de Hamburgo, segunda maior da Alemanha, baniu a compra das cápsulas por órgãos públicos, devido à dificuldade de reciclagem dos detritos. Já a ONG europeia Zero Waste classificou o café em cápsulas como a forma da bebida mais danosa ao meio ambiente.
As pesquisas encomendadas pelo GLOBO analisaram aspectos diferentes e essenciais para a reciclagem das cápsulas das três principais marcas do Brasil (Dolce Gusto, Nespresso e 3 Corações). Enquanto a Proteste verificou, por exemplo, se as empresas orientam corretamente os consumidores sobre como colaborar para a reutilização das cápsulas após o uso, a Unicamp analisou a composição material do objeto. Ambas reprovaram o mercado nacional no que diz respeito à sustentabilidade.
Após avaliar rótulos e canais de comunicação das marcas, a Proteste informou que todas elas deixam de orientar adequadamente seus consumidores sobre a forma de lidar com os detritos.
A Nespresso e a Dolce Gusto oferecem pontos de coleta das cápsulas, destinadas posteriormente a sistemas internos de reciclagem (as empresas não divulgam, porém, o volume processado até hoje). A Nespresso tem 28 pontos de coleta no país, enquanto a Dolce Gusto dispõe de 15 pontos. A Proteste, no entanto, concluiu que as informações sobre esses pontos são pouco divulgadas, presentes apenas nos sites das companhias.
No caso da Dolce Gusto, a associação avaliou que “o site da empresa não é muito claro e informa sobre os programas de reciclagem europeus”. Já a 3 Corações, além de não fornecer orientações no rótulo, não tem programa de reciclagem, o que afirma estar em desenvolvimento.
De acordo com dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), 18% dos municípios do país, entre eles o Rio, contam com sistemas públicos de reciclagem, para onde vai parte do lixo recolhido. Porém, mesmo que as cápsulas cheguem aos centros de reciclagem, não existe know-how, nem mercado, para processar esses resíduos.
A explicação para esse problema está, justamente, na complexidade da composição dos objetos. Após análises físico-químicas de cápsulas das três marcas, uma pesquisa preliminar liderada pela professora Ana Paula Bortoleto, do Departamento de Saneamento e Ambiente da Unicamp, concluiu que “não há viabilidade técnica” para a reciclagem — por obstáculos que vão da mistura de componentes à diferença de materiais usados pelas marcas (plástico e alumínio, principalmente).
Saiba mais em O Globo
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