
13/12/2016
Mais de seis mil horas de áudio gravadas, quatro terabytes de dados e a colaboração de quase 20 pessoas. Tais foram os números envolvidos em uma etapa da pesquisa que o cientista Ivan Campos, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), está desenvolvendo em doutorado na Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, com o título “Escutando a natureza: uma abordagem acústica passiva para o monitoramento de biodiversidade em Unidades de Conservação”.
Como sugere o nome, o estudo testa a aplicabilidade dos sons da natureza em análises sobre a biodiversidade. Entre abril e agosto, Campos gravou e percorreu a “paisagem sonora” de quatro parques nacionais: Chapada dos Veadeiros (GO), Serra da Bodoquena (MS), Serra do Cipó (MG) e Brasília (DF).
A pesquisa foi um dos 467 projetos científicos cadastrados, de 2008 a 2016, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, que hoje protege 65 mil hectares do bioma Cerrado — mas está aguardando a avaliação dos governos estadual e federal sobre um decreto que deve ampliar a reserva. A tendência é que o número de pesquisas se multiplique nos próximos anos: se em 2008 foram 14 registros de estudos no parque, em 2015 houve recorde, com 136 pesquisas contabilizadas.
Com no mínimo quatro gravadores por parque, cedidos pelo Laboratório de Bioacústica do Museu de Ciências Naturais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), Campos capta sons em amostragens de minutos, horas e até dias.
— Quero entender se a paisagem sonora pode ser uma boa abordagem para medir a biodiversidade. Eu não pretendo escutar todas essas horas e fazer uma análise manual, mas sim fazer algumas medidas de maneira automatizada da atividade acústica ou da complexidade da paisagem sonora — afirma Campos, lembrando que o método não é invasivo e, portanto, a ausência do pesquisador em campo contribui para que o comportamento das espécies não seja perturbado.
Segundo o pesquisador, a metodologia é bastante nova e promissora:
— Para algumas espécies, pretendo desenvolver um modelo de identificação automática. Uma delas é o lobo-guará. Temos poucos dados relativos a essa espécie nessas quatro unidades de conservação — explica o analista ambiental. — A cada dia surge uma coisa nova na bioacústica. Não temos ainda métodos totalmente estabelecidos, mas acredito que as gravações de hoje poderão ser úteis no futuro para diversos tipos de análise.
Leia mais em O Globo
VÍDEO: baleia franca e filhote ´dançam´ em flagra de fotógrafo no Arpoador
06/08/2026
Após ´alerta severo´ da Defesa Civil, entenda se ciclone bomba pode atingir o Rio
06/08/2026
Especialistas indígenas preservam abelhas nativas sem ferrão em SP e fazem alerta
06/08/2026
Turismo de avistamento de baleias tem regras, e especialistas defendem melhor fiscalização
06/08/2026
Baleia-jubarte passa debaixo de caiaque e surpreende grupo no ES: ´Achei que ia me derrubar´, diz instrutor; assista VÍDEO
06/08/2026
Embalagem flexível é principal rejeito em cooperativas de reciclagem
06/08/2026
