
08/12/2016
Nas últimas cinco décadas, o Brasil desmatou 700 mil km² da Floresta Amazônica, o equivalente a duas Alemanhas. Apesar das medidas que frearam significativamente o ritmo de desmatamento a partir de 2004, a floresta continua, aos poucos, sendo posta abaixo. Nos últimos três anos, foram suprimidos, em média, 6,4 mil km² de mata natural por ano, o equivalente a 640,2 mil campos de futebol. E a tendência é de aumento. Este ano derrubaram todas as árvores numa área de 7,9 mil km² — maior extensão desmatada desde 2000. Para piorar, a Floresta Amazônica tem enfrentado incêndios cada vez mais frequentes, que degradam áreas significativas, reduzindo o número de árvores, alterando o ecossistema e deixando exposto o solo arenoso da região. Estas e outras questões estão sendo discutidas hoje no Simpósio Amazônia Sustentável, organizado pela Rede Amazônia Sustentável (RAS) com o objetivo de divulgar pesquisas sobre uso da terra, práticas agrícolas e meio ambiente.
Este ano, até o início de dezembro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou 79,6 mil focos de incêndio na Amazônia. Alberto Setzer, coordenador do programa de Monitoramento de Queimadas, ressalta que não existe fogo na Amazônia Legal, formada por nove estados, que não tenha sido originado pela ação do homem — sem querer ou propositalmente. E tem cada vez mais gente ocupando a Amazônia. O Censo de 2010 mostrou 25,4 milhões de habitantes, 4,4 milhões a mais do que em 2000. Enquanto a taxa média de aumento da população brasileira está abaixo de 1%, na Amazônia ela cresceu 1,64% no período.
— Estamos muito longe de uma situação aceitável. A ocupação da Amazônia é crescente e 98% do que foi ocupado até hoje é ilegal, apenas 2% foi feito dentro da lei. O desmatamento diminuiu, mas continua a ocorrer todos os anos. Monitoramos os focos de incêndio em tempo real, sabemos em qual município e estado eles estão, mas eles se repetem — conta Setzer.
Para o pesquisador, se houvesse vontade política o desmatamento ilegal e os incêndios não aconteceriam com tanta frequência.
— Assim como houve o mensalão e agora, o petrolão (Lava-Jato), em algum momento teremos de ter um “florestão” para apurar o que de fato acontece na Amazônia — diz Setzer.
No lugar do desmatamento, agora é o fogo que consome a mata em áreas protegidas. A Ilha do Bananal, dentro do Parque Nacional do Araguaia, no Tocantins, já teve 9 mil km² destruídos por queimadas. Com 120 mil km², ela é a maior ilha fluvial do mundo e faz parte das áreas úmidas mais importantes da Humanidade. No ano passado, uma cortina de fumaça tomou conta da região de Santarém, na área da Floresta Nacional do Tapajós.
— Nunca vi nada igual. Havia focos por vários lados e tudo cheirava queimado: roupas, cabelos. Em alguns momentos, era impossível enxergar qualquer coisa a uma distância maior que 20 metros — conta a pesquisadora Erika Berenguer, das universidades britânicas Lancaster e Oxford e integrante da RAS.
Há quatro anos consecutivos, o Parque Nacional do Xingu, o mais antigo território indígena do país, aparece entre as três terras indígenas com maior registro de incêndios. Este ano, foram mais de mil focos.
Leia mais em O Globo
VÍDEO: baleia franca e filhote ´dançam´ em flagra de fotógrafo no Arpoador
06/08/2026
Após ´alerta severo´ da Defesa Civil, entenda se ciclone bomba pode atingir o Rio
06/08/2026
Especialistas indígenas preservam abelhas nativas sem ferrão em SP e fazem alerta
06/08/2026
Turismo de avistamento de baleias tem regras, e especialistas defendem melhor fiscalização
06/08/2026
Baleia-jubarte passa debaixo de caiaque e surpreende grupo no ES: ´Achei que ia me derrubar´, diz instrutor; assista VÍDEO
06/08/2026
Embalagem flexível é principal rejeito em cooperativas de reciclagem
06/08/2026
