
06/12/2016
A edição anual do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), divulgado na semana passada pelo Ministério da Saúde, indica Niterói em situação de alerta para surto de dengue, zika e chicugunha. No LIRAa de 2015, a cidade esteve na mesma condição, o que levou ao aumento acentuado nos casos de doenças transmitidas pelo mosquito este ano. Até o dia 21 de novembro passado, segundo dados da Secretaria municipal de Saúde, foram registrados 1.683 casos suspeitos de dengue (a prefeitura não informou o número de confirmações) — 117% a mais que em 2015, que registrou 774 notificações. Os casos confirmados de zika subiram de 11 no ano passado para 105 este ano, e o número de pessoas que contraíram chicungunha saltou de dois em 2015 para 37 este ano.
Dos 75 municípios fluminenses que participaram do levantamento, 55 apresentaram quadro satisfatório (caso da capital), 19 foram indicados em situação de alerta (entre eles Niterói, São Gonçalo e Itaboraí) e um foi apontado como em risco de surto (Santo Antônio de Pádua). A avaliação é feita com base nas vistorias em imóveis feitas ao longo do ano e leva em consideração a quantidade de criadouros encontrados por ruas e imóveis — no caso de Niterói, havia focos em 1% dos imóveis.
Os bairros com maior incidência de criadouros e casos suspeitos são Cachoeira, Viradouro, Viçoso Jardim e Matapaca. A Região Oceânica e o limite da Zona Norte com São Gonçalo também apresentam alta concentração de focos. O quadro na cidade chama a atenção para a necessidade de a população cumprir o seu papel no combate à proliferação dos insetos. Em Niterói, o criadouro mais frequente fica dentro das residências: são as caixas-d’água. A situação é um pouco diferente da média na Região Sudeste, onde a maioria dos focos foi encontrada em depósitos domiciliares como vasinhos de planta, calhas e piscinas.
Se os números já são altos, a chegada do verão aumenta a preocupação. As chuvas frequentes geram mais depósitos de água parada, e o ciclo reprodutivo e de desenvolvimento do mosquito se acelera no período mais quente. A secretária municipal de Saúde, Maria Célia Vasconcellos, informa que prepara uma grande campanha para orientar a população sobre os cuidados dentro de casa. A primeira ação foi realizada no dia 24, em diferentes pontos da cidade.
— Sermos derrotados por um mosquito é constrangedor. Nosso grande objetivo é voltar a mobilizar a sociedade, o que não está fácil, mas vamos conseguir ampliando essas ações. É necessário estimular esse cuidado com possíveis criadouros dentro de casa — diz Maria Célia.
A preocupação com a proliferação do inseto movimenta denúncias de moradores em redes sociais. Numa delas, Adryane Cardoso alertou para possíveis focos num terreno que funciona como depósito de materiais, na Rua Mario Tinoco, na Ilha da Conceição. A Seconser respondeu que o local foi limpo pelo proprietário, mas Adryane diz que a situação permanece a mesma. Ela fotografou o local ontem.
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