
22/11/2016
Foram duas semanas de discussão, mas quase nenhum avanço. Um ano após a assinatura do histórico Acordo de Paris, os países reunidos na Conferência do Clima de Marrakesh (COP-22), no Marrocos, ainda não sabem como implementar as metas estabelecidas no documento.
Na Proclamação de Marrakesh, divulgada anteontem, representantes de mais de 190 nações reafirmaram o compromisso político de limitar o aquecimento global a, no máximo, 2 graus Celsius. As potências mundiais concordaram em doar US$ 100 bilhões por ano, a partir de 2020, a nações pobres e os governantes solicitam “um compromisso político máximo para a luta contra as mudanças climáticas” — um recado ao presidente eleito dos EUA Donald Trump, que considera o aquecimento global uma “farsa” inventada para impedir o crescimento econômico americano. O republicano ameaça boicotar o Acordo de Paris.
— Os progressos não foram espetaculares, mas pelo menos não houve bloqueio — avalia um representante de Granada, em nome dos pequenos Estados insulares.
Granada, Bangladesh e Filipinas estão entre os 48 países do Fórum de Vulnerabilidade Climática, grupo que prometeu anteontem firmar compromissos mais rígidos contra o aquecimento global, zerando suas emissões de poluentes até meados do século. Para isso, reivindicaram verbas do Fundo Verde. A exigência, porém, pode não ser atendida tão cedo. Durante a COP-22, a soma das doações anunciadas pelos países ricos atingiu aproximadamente US$ 100 milhões — uma quantia considerada ínfima diante das necessidades globais.
Para os negociadores, uma das maiores vitórias da reunião marroquina foi definir que as metas climáticas serão revisadas já em 2018, e não em 2020, como se cogitava até então. Desta forma, é possível que as nações pensem mais cedo em aumentar seus compromissos. Mas ainda não se sabe como criar mecanismos de transparência que permitam certificar à comunidade internacional se os países estão ou não cumprindo os objetivos que anunciaram.
— O Brasil prometeu para o fim do ano a apresentação do primeiro rascunho da implementação de suas metas — conta Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. — A lição de Marrakesh é que, cada vez mais, o debate climático se afasta das salas fechadas de negociação das conferências internacionais e se instala no mundo real: nas empresas, na sociedade civil, muito além dos governos.
Na esteira da COP-22, o Greenpeace lançou o relatório “E agora, José? – O Brasil em tempos de mudanças climáticas”, em que detalha como o aumento da temperatura global entre 1,4 e 5,4 graus Celsius até o fim do século pode afetar o país.
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