
22/11/2016
Enquanto há no mundo mais de seis bilhões de pessoas com celulares, apenas 2,5 bilhões têm acesso a instalações sanitárias apropriadas, segundo numeros da Organização das Nações Unidas (ONU). Daqueles em condições inadequadas, 946 milhões de pessoas ainda precisam defecar ao ar livre no planeta — uma a cada sete pessoas, situação extrema que levou a organização a declarar o Dia Mundial do Banheiro a cada 19 de novembro. No caso do acesso ao banheiro, o Brasil não figura no quadro planetário mais caótico — mesmo assim, segundo dados do Censo de 2010, 1,5 milhão de domicílios no país não têm nenhuma espécie de latrina.
Neste ano, o tema da data é "Banheiros e trabalho" — a UN Water estima que as doenças causadas pela falta de saneamento e higiene custem aos países mais de 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Entra na conta os dias de trabalho perdidos, fora os riscos à segurança daqueles que precisam defecar ao ar livre — situação que deixa mais vulneráveis as crianças e mulheres, com ameaças de estupro e violência, não só em situação laboral.
Em termos absolutos, é a Índia que impacta de forma brutal as estatísticas: 564 milhões de pessoas no país, ou 44% da população, não têm opção além de rios, áreas abertas e moitas para defecar. Em parceria com o Google, o governo do país pretende lançar, nas próximas semanas, o aplicativo Google Toilet Locator, que facilitará aos usuários acharem banheiros limpos nas proximidades. O país tem avançado e recebido atenção há anos de órgãos como a Unicef — deixando para trás práticas como a profissão de recolhedores de excrementos, proibida em 2013.
O tabu que permeia o tema até gera alguns trocadilhos em hashtags da campanha, como #wecantwait ("não dá para esperar") e #urgentrun ("corrida urgente"), mas, para Carlos Carrion-Crespo, especialista da Organização Internacional do Trabalho (OIT) — uma das agências que participa da mobilização —, ele é um obstáculo para a compreensão do problema.
— Nós somos ensinados a ficar longe da caca, mas ninguém explica a gente o porquê. E quando somos adultos, não racionalizamos isto. O "fator eca" torna difícil falar sobre o tema ou até medi-lo — afirmou ao GLOBO Carrion-Crespo, apontando que há uma série de convenções de saneamento para diversos setores econômicos. — Trabalhos na agricultura e na mineração, por exemplo, ou o trabalho informal ou externo, são agravantes.
As crianças, por outro lado, são também um grupo extremamente vulnerável ao contato com excrementos humanos: dados da ONU mostram que, a cada dois minutos, uma criança morre no mundo por diarreia — o que tem reflexos sérios na má nutrição.
A matéria pode ser lida em O Globo
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