
25/10/2016
O excesso de peso e a obesidade se tornaram uma epidemia contemporânea que assola o mundo inteiro e, de acordo com especialistas, o problema é tão complexo que pode ser comparado ao desafio de encontrar uma solução para o aquecimento global. Várias complicações estão associadas aos quilos a mais na balança, como diabetes, hipertensão, derrame, doenças do coração, do pulmão, problemas gastrointestinais, infertilidade, depressão e vários tipos de câncer. O problema é que muitas dessas doenças demoram a apresentar sintomas e, quando detectadas, já estão em estado avançado, diminuindo as chances de cura e dificultando o tratamento.
Para discutir a importância do diagnóstico precoce das doenças cardiovasculares — como diabetes e hipertensão — causadas pela obesidade, o endocrinologista Walmir Coutinho e a pesquisadora Eliete Bouskela, doutora em fisiologia cardiovascular pela Uerj, participaram da última edição dos Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar. Coordenado pelo cardiologista Cláudio Domênico, o evento teve mediação do jornalista William Helal Filho, do GLOBO.
— Muitas vezes a pessoa não está sentindo nada, mas já tem diabetes ou hipertensão e não sabe o risco que está correndo. São doenças chamadas de inimigos silenciosos — alertou Domênico. — A obesidade é um problema de toda a sociedade, em todos os níveis e não existe uma estratégia simples para algo tão complexo. A prevenção tem que começar na infância.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2014, mais de 1,9 bilhão de adultos em todo o mundo estavam acima do peso e dentre eles 600 milhões eram obesos.
No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) feita pelo Ministério da Saúde em 2013 e divulgada no ano passado, mostrou que 58,2% das mulheres estão acima do peso, assim como 55,6% dos homens. O mesmo levantamento revelou que 24,4% das mulheres e 16,8% dos homens estão obesos, ou seja, têm o Índice de Massa Corporal (IMC, a divisão do peso pela altura ao quadrado) maior que 30.
Ainda segundo a pasta, o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta R$ 458 milhões anualmente para tratar problemas decorrentes da obesidade. Um relatório da OMS feito em 2012 também revelou que os problemas derivados do excesso de peso estão entre os três principais custos sociais dos governos, perdendo apenas para o cigarro e para a violência armada e o terrorismo.
Um dos motivos que transformaram o tratamento e a prevenção da obesidade num problema tão complexo são as suas causas. Segundo o endocrinologista Walmir Coutinho existem dois fatores principais que propiciam o ganho excessivo de peso: os genéticos e os ambientais.
— Dentre as causas ambientais, metade são aquelas que nos fazem nos movimentar menos, desde o controle remoto até o uso excessivo dos automóveis. A outra metade são as que levam as pessoas a comerem mais, usando o alimento como se fosse uma droga. A espécie humana aprendeu que assim como o álcool e a cocaína, os alimentos açucarados e gordurosos também podem estimular o sistema de recompensa do cérebro. Essas causas fazem com que a epidemia de obesidade continue fora de controle no mundo inteiro — explicou Coutinho.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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