
18/10/2016
O estudo de civilizações pré-históricas ganhou uma recente e importante contribuição da Física Nuclear, que promete expandir as pesquisas de arqueólogos em sítios no Brasil. Projeto multidisciplinar, coordenado pela física e professora Kita Macario, da Universidade Federal Fluminense (UFF), comprova que caramujos terrestres podem ser utilizados para medir a idade de vestígios do passado por meio da técnica de datação por carbono-14 (14C) – um isótopo radioativo e oriundo do carbono, resultado da reação nuclear natural da radiação cósmica que vem do Espaço com a atmosfera da Terra.
Abundante na costa brasileira, o caramujo terrestre está presente em diversos sítios arqueológicos no Brasil, como, por exemplo, em alguns sambaquis: grandes montanhas de conchas, formadas por carapaças de moluscos marinhos e terrestres, descartadas ao longo de milhares de anos por nativos que habitavam a costa. Os moluscos marinhos possuem um déficit de radiocarbono em função das trocas mais lentas do gás atmosférico com o ambiente marinho. É o que os pesquisadores chamam de "efeito reservatório marinho".
Essa diferença entre organismos marinhos e terrestres gerava um relativo desconforto nos arqueólogos que, conforme explica Kita Macario, evitavam aprofundar as pesquisas em sítios com tais características. A saída para essa situação, no entanto, poderia estar num elemento presente no contexto arqueológico, mas cujo habitat natural sempre foi a terra: o caramujo terrestre.
Para que esses moluscos se constituíssem como um material possível de ser usado como ferramenta de datação de vestígios encontrados em sítios arqueológicos era preciso, ainda, atestar se eles estavam em equilíbrio isotópico com o ambiente da época. Isto é, se os caramujos terrestres não consumiram carbono-14 de outras formas, senão através da troca natural com o meio ambiente, que se dá ao longo dos diferentes estágios da cadeia alimentar.
"São vários os materiais utilizados para datação de vestígios arqueológicos, tais como ossos de humanos e de animais, e carvão, oriundo de fogueira ou madeira. Mas para que estes materiais possam ser utilizados para medir a cronologia dos vestígios, é preciso ter a certeza de que eles estão em equilíbrio isotópico com o ambiente da época de quando eram vivos", afirma Kita.
A pesquisadora esclarece que nos anos 1950, 1960 e 1970, a atmosfera terrestre sofreu um acúmulo de carbono-14 em função do aumento no uso e testes de bombas atômicas. Em maior e menor grau, o radionuclídeo – no caso, o carbono-14 – se espalhou por todo o globo terrestre. Consequentemente, elevou-se a presença de carbono-14 em animais e plantas.
A matéria completa pode ser lida no site da Faperj
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