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Délcio Rodrigues, físico e ambientalista: ‘Há muita necessidade social para ficarmos parados’

13/10/2016

“Tenho 62 anos. Sou físico de formação, mas pensei que precisava lidar com gente. Fiz mestrado em Eficiência Energética, o que me levou à Companhia Energética de São Paulo. Saí envolvido com a causa socioambiental. Fui convidado pelo Greenpeace Internacional para estudar o contexto do Brasil, em 1989. Fiquei na Índia por um ano.”

Conte algo que não sei.
Entre as ações contra a mudança climática, a mais fácil é o banimento dos HFC (hidrofluocarbonetos) nas geladeiras e nos aparelhos de ar condicionado. Em Nova York, durante a Assembleia da ONU, 105 países e associações de indústria pleitearam uma emenda ao Protocolo de Montreal, para antecipar a data em que devem congelar o consumo de HFC, que contribuem para o aquecimento global. Com isso aprovado, a gente terá feito 10% do que precisa. É fantástico, independe de combustíveis novos ou de mudar um sistema energético inteiro. Há substitutos no mercado. É a fruta que está madura no pé. Se ninguém pegar, vai apodrecer.

Ajudar o meio ambiente levantaria a indústria brasileira?
De que adianta gastar menos dinheiro para colocar no mercado um produto de refrigeração que não vai competir internacionalmente? Muitas vezes, assumir os compromissos ambientais é promover a competitividade industrial. Foi por isso que o Brasil acelerou as medidas de retirada do HFC. Hoje, com custo elevado, gastamos três vezes mais energia que os chineses em um mesmo produto. O governo, que ficou de fora dessa ação em Nova York, precisa assumir esse compromisso. A Abrava, associação do ramo, já assumiu. Se a gente não entrar para ganhar, vamos perder mais uma indústria.


E qual a dificuldade de implementar? É dinheiro?
Sim, o investimento inicial é alto. Desconheço um país que queira barrar. Mas há aqueles propensos a agir mais rapidamente. Os africanos querem que o limite seja 2019; a Índia, 2030. O uso desse gás cresce de 7% a 10% todo ano. No Brasil, de 10% a 15%. A razão tem a ver com política industrial. A Índia tem a prática política de “fazer doce”, para conseguir mais investimento externo, e acha que é a próxima China. Que venham os poluidores, depois consertam os problemas, eles pensam. No Brasil, a euforia não é nosso pique momentâneo. O país precisa agora pensar o que quer ser no futuro.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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