
27/09/2016
Reduto das festas, bares e boates cuja programação entra madrugada adentro, Búzios tem despertado mais cedo nas manhãs de sábado. Às 7h, produtores de várias partes da Região dos Lagos se reúnem na Praça da Ferradura para vender alimentos frescos, sem agrotóxicos e de altíssima qualidade. São ovos, tomates variados, palmito e salame, entre outros produtos, oferecidos na Feira Livre Periurbana de Búzios. Das 24 barracas, 12 são empreendedores do próprio município, que, apesar de não ter uma área rural delimitada em seu Plano Diretor, tem se destacado no ramo. O evento atrai moradores, visitantes, empresários e donos de restaurantes. E se consolidou como uma forma de agregar os pequenos produtores da região, que antes precisavam ir ao Rio de Janeiro para participar de feiras.
O volume da produção que eles apresentam é surpreendente. Para se ter uma ideia, no terreno de 234 mil metros quadrados de José Augusto Carvalho, o Zé, são colhidas 14 toneladas de aipim de oito em oito meses. A plantação e o cultivo são feitos apenas pelo agricultor e por seu amigo José Alves, o Zé do Trator. Sem agrotóxicos e insumos químicos, eles se valem de técnicas da agroecologia, como rotação de culturas, cultivo em faixas e policultura.
— Meu avô plantava aqui no passado. Quando ele morreu, assumi o terreno. Em volta das plantações, têm plancs (plantas alimentícias não convencionais) que os bichos gostam de comer porque são mais macias e aí não atacam as outras plantas. Gosto muito de plantar, e me sinto como se eu estivesse em uma roça — conta o agricultor.Além da mandioca, a dupla cultiva durante todo o ano batata-doce, batata-doce branca, quiabo, tomate, alface, coentro, espinafre, pimenta, banana, rúcula e couve, entre outros. Agora, eles buscam a certificação para que possam comercializar seus produtos orgânicos.
Em Baía Formosa, também em Búzios, Paulo Victor Drumond cria três raças de galinhas de postura — denominação para aquelas que põem ovos — e aves ornamentais. No total, são 300 galinhas poedeiras, que, por mês, põem cerca de sete mil ovos. Elas são criadas em liberdade, soltas no pasto, e se alimentam de capim, de insetos que encontram pela frente e de ração. Nenhuma delas é abatida.
— Elas ficam soltas, e por isso são menos estressadas. Esses ovos têm sempre uma gema bem vermelha e uma clara gelatinosa, diferentemente dos que são vendidos nos supermercados. O que faz aquele vermelho é o verde do capim — conta Drumond, que passou a criar aves para mostrar todo o processo às crianças da família. — Sempre tivemos roça. Não queria que isso se perdesse. Crio espécies para mostrar os alimentos para as crianças. Elas ficam loucas.
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