
22/09/2016
O Brasil não tem aproveitado a biodiversidade como diferencial competitivo. É o que mostra uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o tema “Retrato do uso sustentável de recursos da biodiversidade pela indústria brasileira”. O resultado apontou que, para 84,2% dos executivos das indústrias, o país não tem tirado proveito de todo o potencial desse mercado. O levantamento teve a participação de 120 executivos de pequenas, médias e grandes indústrias.
— O empresariado está preocupado com essa questão e já pratica ações voltadas a essa área, mas falta incentivo para que as empresas que empregam soluções sustentáveis consigam competir com as outras. Os produto feito através dessas práticas são mais caros, e acaba que só quem os consome são pessoas com melhores condições financeiras ou pessoas preocupadas com essa causa. O papel reciclado é um bom exemplo: é mais caro que o papel normal — afirmou a diretora de Relações Institucionais da CNI, Mônica Messenberg.
Os principais motivos para o não aproveitamento do potencial da biodiversidade, de acordo com o levantamento, são a falta de perspectiva de melhoria do aproveitamento no longo prazo e a falta de políticas públicas estruturadas adequadas para o setor, respectivamente com 23,8% e 22,8% dos votos dos empresários.
— A biodiversidade é uma riqueza do Brasil e precisa ser explorada de maneira mais intensa. As empresas entendem isso, só que, hoje em dia, as que conseguem fazer isso são empresas de nicho ou as grandes empresas, porque não há uma sinalização clara do que será feito no longo prazo — explicou Mônica.
Em relação aos investimentos e políticas públicas, existe uma grande falta de conhecimento dos empresários sobre as linhas de apoio do governo voltadas à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade. Apenas 25% dos executivos entrevistados conhecem essas iniciativas e, desses, apenas 22,6% já se beneficiaram delas. Isso significa que, das 120 empresas participantes da pesquisa, somente 5,8% já fizeram uso desses programas.
— As médias e pequenas empresas, quando conhecem essas políticas, não têm acesso a elas. É preciso ampliá-las — completou a executiva.
Na opinião dos empresários, as medidas que deveriam ser tomadas pelo governo para incentivar um maior engajamento do uso sustentável e ações de conservação da biodiversidade pelo setor privado são: incentivos/incentivos fiscais (26,7%), fiscalização (21,7%), disponibilização de recursos e linhas de crédito (14,2%), regras claras/segurança jurídica (13,3%) e crédito para empresas que já conservam (12,5%).
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