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Humanidade está deixando os oceanos doentes, diz relatório inédito

08/09/2016

O aquecimento global está deixando os oceanos doentes, propagando uma série de enfermidades entre animais e seres humanos e ameaçando a segurança alimentar do planeta. A constatação está num relatório científico sobre a saúde dos nossos mares realizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Compilada por 80 cientistas de 12 países, a pesquisa foi divulgada durante o Congresso de Conservação Mundial, que está acontecendo no Havaí.
De acordo com o relatório, os oceanos já absorveram enorme quantidade de calor devido a emissões de gases do efeito estufa, afetando desde micróbios até baleias. A pequisa revela que um risco para a vida humana é a propagação de doenças, caso os oceanos continuem a esquentar. O relatório da IUCN mostrou que há crescente aparecimento de bactérias vibrio, que causam cólera, e de espécies tóxicas de algas que podem provocar intoxicação alimentar. Ainda segundo a pesquisa, o mundo também está experimentandor furacões mais fortes, se não mais numerosos, devido à energia extra nos oceanos e na atmosfera.
"Todos sabemos que os oceanos sustentam o planeta. Todos sabemos que os oceanos proveem cada segundo de ar que respiramos. E, no entanto, estamos deixamos os oceanos doentes", afirmou a diretora-geral da IUCN, Inger Andersen, durante o encontro, que reúne 9 mil líderes e representantes de governos e de grupos ambientalistas em Honolulu, capital do Havaí.
O relatório "Explicando o aquecimento do oceano" é o estudo mais completo e sistemático já feito sobre as consequências do aquecimento global nos oceanos, de acordo com Dan Laffoley, um dos autores principais do projeto.
"O oceano vem nos protegendo e as consequências disso são absolutamente maciças. O que estamos vendo agora vai se desenrolar em algo muito maior do que podemos lidar. A perspectiva geral é bastante sombria", disse Laffoley, vice-presidente da Comissão Mundial de Áreas Protegidas da IUCN.
As águas do mundo absorveram mais de 93% do calor extra gerado pelas mudanças climáticas desde 1970, amenizando as temperaturas em terra mas alterando dramaticamente o ritmo de vida nos oceanos, acrescentou o cientista.
"Se a mesma quantidade de calor que vem sendo enterrada nas camadas superiores dos oceanos tivesse sido liberada diretamente na atmosfera, a superfície da Terra teria esquentado devastadores 36 graus, ao invés de 1 grau no último século", alerta Laffoley.

Fonte: O Globo

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