
26/07/2016
Um número crescente de ônibus e automóveis nas ruas, trânsito lento, engarrafamentos frequentes. Este é um cenário a que já nos acostumamos nas grandes cidades. Mas não nos damos conta que as consequências vão bem além do caos urbano. Como explicam os especialistas, a queima de combustíveis fósseis provoca não apenas o aumento do efeito estufa. Nos mares, o excesso de CO2 leva a desastres tão danosos quanto pouco debatidos. Ao entrar em contato com a água dos oceanos, ele reage, formando ácido carbônico, o que, por sua vez, provoca uma série de novas reações químicas, reduzindo o pH natural da água. Embora essas alterações
não sejam homogêneas, variando de um ponto a outro no oceano, as consequências são mais ou menos as mesmas: pouco a pouco, essa alteração no pH das águas marinhas as torna mais ácidas. É a chamada acidificação dos oceanos.
Desde 2012, esses efeitos vêm sendo estudados pela equipe de Oceanografia Química da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Os pesquisadores que a integram fazem parte do BrOA – Grupo Brasileiro de Pesquisa em Acidificação dos Oceanos. Trata-se de um grupo de pesquisa multidisciplinar que reúne representantes de diversas instituições brasileiras. “Procuramos compreender como a concentração das formas de carbono inorgânico dissolvido impacta os diversos ecossistemas marinhos brasileiros, e, assim, entender melhor os processos biogeoquímicos e a influência antropogênica nas trocas de CO2 entre o mar e a atmosfera nos
ambientes costeiros fluminenses”, explica Letícia Cotrim da Cunha, oceanógrafa e professora da universidade, cujo projeto contou com recursos do Auxílio Básico à Pesquisa (APQ 1) e do Acordo de Cooperação Bilateral FAPERJ / Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG), f rmado com a Alemanha.
Em maio, a equipe da Uerj recebeu Tobias Steinhoff, do Instituto Helmholtz de Pesquisa Oceânica – Geomar, instituição de referência em química do mar, sediado na cidade de Kiel, na Alemanha. “O foco do trabalho de cooperação é a instalação de equipamentos autônomos para medição de CO2 na água e atmosfera em navios voluntários, de maneira a cobrir uma grande extensão da plataforma continental interna brasileira”, explica Letícia.
Apesar desses esforços de monitoração, a pesquisadora avalia que será preciso se fazer muito mais. “Caso as emissões de CO2 fossem paralisadas hoje, ainda assim seriam necessários cerca de 10 mil anos para tudo se recuperar, ou seja, para voltarmos às condições pré-Revolução Industrial. Mas o que tem acontecido, ao contrário, é que as emissões, ano a ano, vêm tendo aumentos pequenos, mas constantes”, alerta a oceanógrafa.
A matéria pode ser lida no site da Faperj
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