
05/07/2016
A maior parte das devastadoras epidemias que já atingiram os humanos teve origem em animais. Mais precisamente, em mamíferos. E o curioso é que pouco se sabe sobre os padrões globais de transmissão dessas doenças, o que dificulta a identificação das zonas de risco e faz com que surtos deste tipo sejam imprevisíveis. Este cenário, no entanto, está com os dias contados, segundo um grupo de pesquisadores americanos que organizaram um mapa mundial com as ocorrências de zoonoses — como são chamadas as doenças transmitidas de animais para humanos. Publicado na revista científica “Trends in Parasitology”, o trabalho revela, por exemplo, que a América Latina é uma zona crítica para doenças transmitidas por morcegos, enquanto a Europa e toda a Rússia têm problemas mais sérios com roedores.
Entre as zoonoses mais comuns estão a raiva, transmitida especialmente por cães e morcegos; a peste, passada por roedores, gatos e até camelos; e a Febre Q, cujos transmissores são animais domésticos em geral.
O mapa feito pelos cientistas da Universidade da Geórgia e do Instituto Cary de Estudos de Ecossistemas reúne dados sobre todas as 27 ordens de mamíferos terrestres. Entre elas estão incluídas mais de duas mil espécies de roedores, camelos do Oriente Médio que transportam síndrome respiratória, morcegos com raiva e animais com cascos, como equinos e bovinos, que são transmissores de doenças alimentares. Os surtos e epidemias são causadas por vírus, fungos ou bactérias hospedados nesses animais. A disseminação dessas doenças, em especial das bacterianas, é particularmente preocupante devido à crescente resistência da população a antibióticos.
Segundo o estudo, a Europa e toda a Rússia são os lugares do mundo com maior predominância de hospedeiros roedores, enquanto as Américas Central e do Sul são pontos críticos globais para morcegos. Já a região com mais hospedeiros primatas é a África Equatorial.
Com o mapa, os cientistas acreditam que será possível prever os próximos surtos a partir dos padrões de transmissão encontrados. Uma das autoras da pesquisa, Barbara Han, ecologista de doenças do Instituto Cary de Estudos de Ecossistemas em Nova York, considera que, assim, será possível minimizar os surtos ou até mesmo evitá-los.
— Entender como os animais estão distribuídos no mundo e por que isso acontece pode não parecer ser aplicável a nossas vidas do dia a dia. Mas prever onde a próxima doença zoonótica pode emergir depende exatamente desse tipo de conhecimento científico — diz Barbara.
A pesquisa revelou que morcegos carregam muito menos doenças zoonóticas (25) do que roedores (85), carnívoros (83), primatas (61) e mamíferos com cascos (59). Mas são justamente os morcegos que estão disseminando doenças pela Amazônia brasileira nos últimos anos. Tem havido novos casos de raiva humana por lá, mesmo que no restante do país os registros tenham diminuído de 173 ocorrências em 1980 para menos de dez ao ano, atualmente.
Saiba mais em O Globo
VÍDEO: baleia franca e filhote ´dançam´ em flagra de fotógrafo no Arpoador
06/08/2026
Após ´alerta severo´ da Defesa Civil, entenda se ciclone bomba pode atingir o Rio
06/08/2026
Especialistas indígenas preservam abelhas nativas sem ferrão em SP e fazem alerta
06/08/2026
Turismo de avistamento de baleias tem regras, e especialistas defendem melhor fiscalização
06/08/2026
Baleia-jubarte passa debaixo de caiaque e surpreende grupo no ES: ´Achei que ia me derrubar´, diz instrutor; assista VÍDEO
06/08/2026
Embalagem flexível é principal rejeito em cooperativas de reciclagem
06/08/2026
