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Operação da Polícia Federal tenta salvar botos-cinza na Costa Verde

28/06/2016

A Polícia Federal desencadeou uma grande ofensiva contra a pesca predatória no litoral de Angra dos Reis, Paraty e Mangaratiba. A operação, que começou em maio, é para evitar que o boto-cinza, ameaçado de extinção, desapareça da Costa Verde, no litoral sul fluminense. A região é considerada um dos últimos santuários da espécie no mundo. Mas vem convivendo com cenas de carcaças achadas nas praias e animais presos a redes. Uma realidade que, nos últimos 11 anos, contribuiu para reduzir a menos da metade a população de botos no Rio.
A ação da PF está sendo realizada em conjunto com o Ibama e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), atendendo a uma antiga reivindicação de biólogos e do Ministério Público Federal (MPF), que no início do ano alertou para o risco da pesca ilegal à sobrevivência dos botos.
Em menos de dois meses, segundo os policiais federais, a operação — sem data para terminar — já levou à prisão em flagrante de 47 pescadores, com base no artigo 34 da Lei 9605, que pune os crimes ambientais. Também foram apreendidas mais de dez embarcações, cinco toneladas de peixes e camarões capturados ilegalmente, além de redes e outros apetrechos.
— Todos os presos estão sujeitos a penas de detenção que vão de um a três anos — afirma o delegado federal Adriano Soares, diretor da Delegacia Regional da PF em Angra dos Reis e coordenador da operação.
Ele explica, contudo, que parte dos pescadores não permanece presa, já que o crime é afiançável. Enquanto isso, as ameaças ao boto continuam preocupando os ambientalistas nas baías da Ilha Grande e de Sepetiba.
— O número de carcaças de botos encontradas nos últimos três anos já está chegando à casa de 50% da população estimada de botos na região. É alto e muito preocupante — afirma o biólogo Leonardo Flach, coordenador científico do Instituto Boto-Cinza, que estuda a espécie de 1997.
Ele lembra que em nenhum outro país do mundo é possível encontrar tantos indivíduos da espécie juntos. Mas, em 2002, biólogos que estudam o comportamento dos mamíferos identificaram entre 700 e 2 mil botos só na Baía de Sepetiba. No ano passado, em nova pesquisa, o número de animais tinha desabado: foram catalogados no máximo 850.
— Identificamos grandes pesqueiros do Sul do país, de estado como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, em atividade ilegal na Baía de Sepetiba e na costa de Angra dos Reis e de Paraty. São embarcações que buscam peixes da cadeia alimentar do boto-cinza usados como iscas vivas na pesca de atum, realizada em alto mar. Essas ações reduzem o alimento do boto-cinza — diz Leonardo.
Segundo os biólogos do Instituto Boto-Cinza, os pescadores também não respeitam o período de defeso (quando a pesca é proibida) das espécies de peixes das quais o mamífero se alimenta, como sardinhas boca torta, corvinas e tainhas, desequilibrando ainda mais a cadeia alimentar.

A matéria pode ser lida em O Globo

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