
31/05/2016
Além de representarem um risco ao meio ambiente e à própria saúde das pessoas, as mudanças climáticas são uma das maiores ameaças a monumentos históricos considerados patrimônios mundiais da Unesco, alerta um relatório elaborado por cientistas e divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o estudo, símbolos culturais como os misteriosos moais da Ilha de Páscoa, no Chile, e o imponente Stonehenge, no Reino Unido, podem ser destruídos devido a problemas causados pelas alterações no clima.
A pesquisa foi realizada pela União dos Cientistas Preocupados (UCS, na sigla em inglês), com apoio da Unesco e do Programa Ambiental da ONU. Ao todo, são 31 patrimônios, em 29 países, vulneráveis a problemas como elevação de temperaturas, avanço das águas e intensificação de eventos como chuvas torrenciais e secas prolongadas.
O risco do caos climático para patrimônios ambientais como a Grande Barreira de Corais, na Austrália, e o Atol das Rocas, no Brasil, já vinha sendo enfatizado há tempos por entidades ligadas ao assunto. Mas o novo relatório lista também monumentos criados pelo homem, de extrema importância cultural e, obviamente, turística.
Na ilha de Páscoa, no Chile, a erosão costeira causada por chuvas que se tornarão cada vez mais frequentes e o aumento do nível das águas no Oceano Pacífico podem fazer com que os moais se percam no mar, afirmam os pesquisadores. Já em Stonehenge, no Reino Unido, a preocupação é com enchentes. Até mesmo a Estátua da Liberdade, em Nova York, está na relação, devido ao risco de furacões e tempestades se tornarem mais corriqueiras no Nordeste dos EUA.
O documento enfatiza que países em desenvolvimento como a Colômbia, onde fica a cidade de Cartagena, e o Vietnã, onde está situada a cidade de Hoi An, ambas listadas entre os patrimônios em risco, podem sofrer um baque econômico, já que dependem da receita do turismo gerada graças a esses locais.
— Para eles, é uma fonte de renda muito importante. É um motor econômico ter um patrimônio mundial rm seu território — afirmou à agência de notícias Reuters o pesquisador Adam Markham, principal autor do relátorio e vice-diretor da UCS. — Se os atributos que atraem os turistas forem danificados pela mudança climática, poderia ser um grande golpe nas economias.
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