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Rodoviários do Rio são os que ficam mais tempo de licença

12/05/2016

Pouco depois de meio-dia no Terminal Padre Henrique Otte, no Santo Cristo. Com 17 anos de profissão, o motorista de ônibus José Augusto Filho se ajeita na beirada da rampa de acesso a uma das plataformas. Com marmita na mão, meio sem posição para se sentar, ele se prepara para almoçar e, logo depois, encarar o trânsito, até de noite, ao volante da linha 318 (Rodoviária-Alvorada). Em volta, outros motoristas fazem o mesmo: comem onde dá, quando dá, prestes a enfrentar a jornada de estresse no engarrafamento, muitas vezes por horas além do previsto, em veículos nem sempre em condições adequadas de se dirigir.
Tudo que contribui para uma situação que os usuários dos ônibus observam no cotidiano: a saúde de quem conduz os cerca de 6,4 milhões de passageiros por dia nos coletivos do Grande Rio não anda das melhores. Constatação que, agora, um levantamento do Ministério do Trabalho e Previdência Social corrobora: de todas as regiões metropolitanas do país, os funcionários das empresas de ônibus fluminenses são os que mais precisam ser afastados do trabalho e também os que, em média, ficam mais tempo longe de suas funções.
Com base nos dados do Registro Anual de Informações Sociais (Rais) de 2012 e 2013, concluiu-se que, dos cerca de 100,8 mil trabalhadores do setor na Região Metropolitana do Rio, 35.543 (35%) tiveram de se licenciar de suas funções nesse período (contra 23,8 mil ou 22% dos trabalhadores da Grande São Paulo). Somado o tempo em que todos eles ficaram afastados, totalizariam 7.635.103 dias, ou uma média de 214,8 dias sem trabalhar por funcionário afastado (frente a uma média de 202 dias em São Paulo e 97 em Belo Horizonte).
— Os motoristas do Rio andam estressados. No meu caso, às vezes até para dar uma informação a um passageiro é difícil. Trabalhamos, no mínimo, nove horas por dia. Já cheguei a fazer 13 horas. Isso tendo que dirigir e dar troco aos passageiros. Acho que esse é um dos motivos de tantos afastamentos — especula um motorista de uma das linhas que partem do Padre Henrique Otte, sem se identificar.

Saiba mais em O Globo

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