
03/05/2016
A três meses das Olimpíadas, a região da Barra vem sofrendo com a poluição de seu complexo lagunar, cuja limpeza fazia parte do caderno de encargos dos Jogos. Ontem, no Canal da Barra, uma corrente de sujeira seguia em direção ao mar. Uma equipe da Comlurb retirou cerca de dez toneladas de gigogas das areias da praia. Agarrada às plantas aquáticas, que se proliferam rapidamente em águas com níveis elevados de contaminação por esgoto, pedaços de madeira e borracha, garrafas PET e até um sofá foram recolhidos por garis na altura do Posto 1.
Também ontem, quem saía do Túnel do Joá sentia um forte mau cheiro: a ressaca dos últimos dias remexeu o fundo das lagoas, liberando gases sulfídrico e metano, provenientes do excesso de lixo.
O anúncio da realização do maior evento esportivo do mundo veio com a promessa de recuperação do ecossistema da região da Barra. Mas, agora, autoridades admitem que promessas relacionadas ao legado ambiental das Olimpíadas não serão cumpridas.
Especialistas afirmam que, como não foram realizadas as obras previstas para o tratamento de esgoto e a limpeza das lagoas da região, o nível de poluição durante as competições dependerá exclusivamente das condições climáticas.
Construída em 2006, a ecobarreira da Lagoa da Tijuca está afundando, o que agrava ainda mais a situação. Um catador informou que muitos colegas pararam de trabalhar porque estão há quatro meses sem receber salários do estado. Na lagoa, peixes agonizam em meio à sujeira. No Canal de Marapendi, no entanto, nem mesmo o lixo e o mau cheiro afastaram atletas de stand up paddle.
Segundo o biólogo Mario Moscatelli, responsável por um projeto de recuperação de manguezais na região, é fundamental uma reforma urgente da ecobarreira, para bloquear a chegada de lixo ao mar. Ele alerta que, se nada for feito, no próximo dia 10, quando será realizada a próxima etapa brasileira do circuito mundial de surfe (World Surf League), o Rio poderá passar vergonha.
— O quadro é caótico. O sistema lagunar, assoreado, está morrendo. Estamos na iminência de um colapso a menos de cem dias das Olimpíadas. As autoridades terão de torcer para que, durante o mês de agosto, não chova nem haja ressaca. Está nas mãos da natureza o risco de passarmos um vexame nos Jogos — afirmou Moscatelli.
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