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Câmeras flagram animais selvagens em Chernobyl, 30 anos após acidente

28/04/2016

Cientistas divulgaram nesta terça-feira, exatamente 30 anos após o histórico acidente na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, um estudo sobre a proliferação de animais selvagens na enorme área abandonada por cerca de cem mil seres humanos ao longo das semanas seguintes à explosão do reator, em 1986.
Graças a câmeras operadas por controle remoto, instaladas na Zona de Exclusão de Chernobyl, os pesquisadores flagraram lobos, raposas vermelhas, cervos e diversos outros animais selvagens vivendo livremente, sem a interferência de Homo sapiens. Os cientistas da Universidade da Georgia descrevem a região como um "santuário incrivelmente vasto" para animais grandes e pequenos.
Estudos sobre a multiplicação da fauna na região do acidente são controversos. Alguns acadêmicos dizem que a radiação causou danos genéticos e redução de população de animais. Outros estudos argumentam que, mesmo com o efeito radioativo, a vida selvagem se multiplicou graças à ausência de humanos, que seriam, segundo essa linha de pesquisa, "mais perigosos que um acidente nuclear".
O novo estudo, o primeiro feito com câmeras operadas remotamente, corrobora a segunda hipótese. Durante cinco semanas de 2014, 94 câmeras instaladas na metade da zona de exclusão que pertence à Bielorrússia, uma área intensamente arborizada graças, mais uma vez, à ausência de pessoas. A equipe registrou imagens de 14 espécies de mamíferos.
Entre os mais visualizados, estão alguns animais que raramente são vistos perto de uma área de grande concentração de humanos, como lobos, javalis e raposas vermelhas. São exemplos contundentes da proliferação de vida selvagem porque animais carnívoros estão duplamente expostos, pois podem ser contaminados tanto pelo ambiente quanto pela radioatividade na carne de suas presas. Entretanto, todas essas espécies estão amplamente distribuídas pela zona de exclusão.
As câmeras também registraram alces e veados, que são alvo frequente de caçadores humanos, assim como bisões europeus e lebres, entre outras espécies.

Fonte: O Globo

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