
26/04/2016
Tecnologia genética de vanguarda começa a ser usada para enfrentar o mais perigoso predador do Brasil. Cientistas do Rio investigam o genoma do Aedes aegypti em busca de seus pontos fracos e planejam usá-los em armadilhas vivas, criadas em laboratório, num trabalho inédito. A meta é reduzir a infestação do mosquito que transmite zika, dengue e chicungunha com o uso de plantas.
Tendo à frente a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o projeto, que já está em curso, combina a análise dos genes do Aedes com a identificação e a modificação de plantas. Erradicação é um termo forte demais para um inimigo que aprendeu a tirar proveito das fraquezas humanas, como a falta de saneamento básico, afirma o líder do projeto, Mario Alberto Cardoso da Silva-Neto, chefe do Laboratório de Sinalização Celular do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, da UFRJ:
— Enquanto persistirem condições precárias, como esgoto a céu aberto e falta de água encanada, existirão mosquitos. Mas podemos reduzir sua população de forma expressiva. Temos o orgulho e a tradição de Oswaldo Cruz e Carlos Chagas no combate de epidemias, mas ainda não aprendemos a resolver problemas de urbanização.
Ele e a equipe, integrada também por pesquisadores do Instituto de Biologia do Exército (IBEx) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), analisam genes que conferem ao mosquito a capacidade de sugar o sangue humano. Todo o genoma de cerca de 15 mil genes do Aedes é rastreado, mas a meta é chegar a 20 genes de interesse, ativos somente nas fêmeas.
— O Aedes existe há cerca de 45 milhões de anos. Ele tem um arsenal biológico formidável e se adaptou totalmente a predar o ser humano. Mantê-lo sob controle é um trabalho de permanente vigilância — destaca.
Para o estudo, os cientistas desenvolveram uma população de mosquitos representativa do Aedes que infesta o Rio. Capturaram mosquitos na orla da Baía de Guanabara: em Paquetá, Ilha do Governador, Praça Quinze, Niterói e São Gonçalo.
— Eles foram cruzados e obtivemos uma população homogênea, que chamamos de Aedes Rio. São os genes desses mosquitos que estudamos — diz Cardoso.
O grupo se debruça sobre o período de até 48 horas de vida do mosquito, em que ele ainda não aprendeu a sugar o sangue humano. Durante essa fase, machos e fêmeas se alimentam apenas de seiva das plantas e copulam. Após esse breve período, alguns genes acionam uma espécie de gatilho, que faz as fêmeas fecundadas sugarem sangue humano para nutrir seus ovos.
— Vamos comparar machos e fêmeas e ver que genes ficam ativos. Só nos interessam as fêmeas, que chupam sangue — explica o cientista.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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