
26/04/2016
Dois novos estudos sobre as mudanças climáticas aumentam a pressão sobre os chefes de Estado que assinarão amanhã, em Nova York, o Acordo de Paris — conjunto de medidas estabelecidas no fim do ano passado para limitar o aumento da temperatura global em até 2 graus Celsius. De acordo com um relatório divulgado esta semana pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA (Noaa), o mês passado foi o março mais quente desde o início dos registros históricos, em 1880, repetindo o observado em janeiro e fevereiro deste ano. Entre os cientistas, é praticamente consenso que 2016 será o ano mais quente da História.
Outro estudo alerta que, até 2100, 88% dos americanos viverão em regiões onde o tempo será pior do que o registrado atualmente. Publicado na edição desta semana da revista “Nature”, o levantamento combate as avaliações positivas sobre o aquecimento global. Hoje, 80% da população dos EUA moram em localidades onde a temperatura é melhor do que a vista 40 anos atrás — os invernos são mais amenos e o crescente calor do verão não é desagradável. Este cenário, porém, será modificado se for mantido o crescimento das emissões de gases de efeito estufa.
Desde 1974, a temperatura em janeiro, no ápice do inverno do Hemisfério Norte, tem crescido 0,58 graus Celsius por década. Em julho, no auge do verão, os termômetros registraram um aumento de apenas 0,07 graus Celsius a cada dez anos.
— O aumento da temperatura é um sintoma ameaçador das mudanças climáticas, mas os americanos estão experimentando seus efeitos em partes do ano em que dias mais quentes são bem-vindos — lembra Patrick Egan, coautor do estudo, coordenado pelas universidades Duke e de Nova York.
— Os EUA estão entre os países mais influentes na definição de políticas no planeta, mas também entre os maiores emissores de gases de efeito estufa — explica Joacim Rocklöv, que assina a pesquisa. — Os americanos podem não reconhecer como os efeitos benéficos do aquecimento global mudarão no futuro.
Amanhã, os diplomatas e governantes de 195 países reunidos na ONU formalizarão os compromissos assumidos voluntariamente pelas nações na Conferência do Clima de Paris (COP-21). Se todas as metas forem cumpridas, o planeta aquecerá pelo menos 3 graus Celsius. Analistas acreditam que as grandes potências não modificarão os termos que apresentaram no ano passado, mas alguns países cuja economia é movida por combustíveis fósseis, como Arábia Saudita e Venezuela, podem retroceder e adotar projetos mais tímidos.
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