
12/04/2016
Há poucos dias de expirar o prazo final do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que autoriza o funcionamento da unidade da ThyssenKrupp CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico), em Santa Cruz, na Zona Oeste, a Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca), da Secretaria de Estado do Ambiente, aprovou, na última terça-feira, 5 de abril, a emissão da Autorização Ambiental de Funcionamento (AAF) para a companhia. O documento libera, excepcionalmente, o funcionamento da unidade industrial, com vistas a sua adequação às normas de controle ambiental dentro do prazo previsto no TAC – que expira no próximo dia 28 – e concede ainda prazo adicional de 90 dias à empresa. Este é o período que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) terá para concluir a avaliação do cumprimento das obrigações constantes do TAC pela CSA. Só após essa etapa a companhia poderá ter concedida, ou não, a licença ambiental definitiva para operar.
Coordenadora do Laboratório de Química Atmosférica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pesquisadora colaboradora do Inea, Adriana Gioda vem acompanhando de perto a qualidade do ar na região de Santa Cruz, desde o início da operação da CSA, em 2010. Na época, uma falha nos altos-fornos do parque industrial levou a um incidente ambiental, que ficou conhecido como "chuva de prata". Além de ter as casas tomadas por um misterioso pó metálico, moradores relataram problemas respiratórios, por causa da exposição ao material.
Segundo Adriana, a grande quantidade de material particulado, coletado em 2010, tinha altas concentrações de metais, como zinco e ferro. Análises recentes de coletas do Inea mostram, no entanto, que as concentrações de material particulado, hoje, estão dentro dos limites estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). "As concentrações de partículas finas (PM2.5) no período de agosto a dezembro de 2010, período de teste da CSA, variaram de 1 a 43 µg m-3 com média de 14 µg m-3 para 60 amostras coletadas. Esta média está acima do limite anual sugerido pela OMS, de 10 µg m-3, e em muitas datas as concentrações ultrapassaram o limite diário, de 25 µg m-3 ", diz Adriana.
Em 2015, no entanto, as concentrações de partículas finas variaram de 3 a 30 µg m-3 com uma média anual de 10 µg m-3, para um total de 70 amostras. "Está, assim, no limite estipulado", ressalta a pesquisadora. Ela esclarece que o material particulado suspenso no ar têm diferentes fontes, origem e tamanhos. De acordo com a pesquisadora, quanto menor a partícula, maior o tempo de permanência na atmosfera e maior a penetração no trato respiratório. Adriana acrescenta que as partículas podem influenciar o clima, a visibilidade, o ciclo biogeoquímico (percurso realizado no meio ambiente por um elemento químico) e a saúde humana, causando doenças respiratórias e cardiovasculares.
Os mecanismos associados aos efeitos adversos à saúde causados pelas partículas, no entanto, não são bem compreendidos pelo meio científico, mas, segundo a pesquisadora, acredita-se que os processos inflamatórios e de estresse oxidativo (desequilíbrio entre a formação e a remoção de agentes oxidantes no organismo) desempenham um papel fundamental. Neste contexto, os metais presentes nas partículas podem ter uma função importante. "Eles podem desencadear uma série de efeitos no organismo, pois ao serem absorvidos através da inalação das partículas, promovem reações químicas nas células, alterando o seu funcionamento. Estas reações dependem do tipo do metal, da combinação de metais, do tempo de exposição e da concentração/dose", explica Adriana.
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