
12/04/2016
A produtividade agrícola está intimamente relacionada ao trabalho realizado pelos agentes polinizadores, como as abelhas e outros insetos. Essa é a conclusão de uma ampla pesquisa, realizada simultaneamente em diversos países, principalmente da América Latina, África e Ásia, e que contou com a participação da professora Maria Cristina Gaglianone, do Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), sediada no município de Campos dos Goytacazes. O trabalho ganhou repercussão internacional com a publicação de artigo na renomada revista científica Science, publicada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência. Confira a íntegra do artigo: http://science.sciencemag.org/content/351/6271/388
Participaram do estudo pesquisadores de 18 universidades e centros de pesquisa do Brasil, Argentina, Colômbia, Portugal, Holanda, França, Itália, Alemanha, Noruega, China, Nepal, Índia, Indonésia (Java), Zimbábue, Paquistão, Quênia, Gana e África do Sul. Essa grande equipe multidisciplinar concluiu, após um trabalho de campo de dois anos, que conservar a biodiversidade ao redor das pequenas propriedades – ou mesmo dos latifúndios – é muito importante não apenas para o meio ambiente, mas também para ampliar a produtividade agrícola e gerar benefícios econômicos. Afinal, a relação entre a polinização e a produção de alimentos, cada vez mais necessária para atender à crescente demanda de consumo em escala global, é bem estreita.
Voando de flor em flor, as abelhas nativas – que no Brasil são representadas por cerca de 1.500 espécies, além da espécie Apis mellifera, produtora de mel e de origem europeia – são os principais agentes polinizadores da natureza. A polinização acontece quando as abelhas, ou outros insetos, transportam sem querer grãos de pólen masculinos para as partes femininas das flores. Isso permite que, no interior das flores, ocorra a fertilização dos óvulos, que se tornarão sementes e desenvolverão frutos.
No entanto, com o desmatamento de matas nativas para ceder espaço a atividades como o cultivo agrícola e a pecuária, observa-se uma diminuição na diversidade de abelhas e de outros insetos e, consequentemente, de seu papel polinizador. “No estudo, vimos uma relação direta entre a riqueza de polinizadores, e não apenas a sua quantidade, e a produtividade agrícola”, destaca a bióloga Maria Cristina, que obteve os títulos de mestrado e doutorado em entomologia – a ciência que estuda os insetos sob todos os seus aspectos e relações com o homem, as plantas, os animais e o meio ambiente –, pela Universidade de São Paulo (USP).
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