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Metade dos patrimônios mundiais está ameaçada por atividades econômicas

12/04/2016

De Machu Picchu às Cordilheiras do Himalaia, passando por Pantanal e Atol das Rocas, há 114 Patrimônios Mundiais Naturais ameaçados no planeta. O número, apresentado em um novo relatório do WWF, corresponde a quase metade das 229 localidades eleitas pela Unesco como as de paisagem mais preciosa e de conservação prioritária. No Brasil, seis das sete riquezas estão na chamada lista vermelha: as ilhas atlânticas (Fernando de Noronha e Atol das Rocas), a Chapada dos Veadeiros (Goiás), a Costa do Descobrimento (Bahia), as reservas do Sudeste da Mata Atlântica, o Pantanal e o Parque Nacional do Iguaçu. Apenas o complexo da Amazônia Central não registra intervenções danosas em seu ecossistema.
Entre os principais riscos enumerados pelo relatório estão a extração de petróleo, a mineração, a pesca predatória e o desmatamento. Onze milhões de pessoas dependem dessas áreas para subsistência e sofrem o impacto das atividades econômicas e 90% dos sítios podem gerar emprego e benefícios para a população ao redor. Esta receita contribuiria para os países cumprirem a Agenda de Desenvolvimento Sustentável 2030, uma lista de 17 ações que devem ser tomadas nos próximos 15 anos para reduzir a pobreza no planeta.
— Estes são alguns dos locais mais valiosos e excepcionais do planeta. — destaca Marco Lambertini, diretor-geral do WWF e autor do relatório “Proteger as pessoas através da natureza”. — E devem continuar proporcionando bem-estar à população.
Aproximadamente 20% dos patrimônios naturais sofrem com mais de uma atividade industrial. Na Costa do Descobrimento, por exemplo, há registros de exploração de petróleo, mineração e construção de rodovias. Para evitar estas ações, Lambertini recomenda que o poder público negue financiamento a projetos de companhias dentro das áreas protegidas.
Mario Barroso, superintendente de Conservação do WWF-Brasil, alerta que o panorama de outras unidades de conservação sem o mesmo status de proteção pode ser ainda pior.
— Mesmo o reconhecimento mundial de uma área não a torna isenta de ameaças. Então, imagine os problemas de regiões que não têm este título? — questiona. — No Brasil, só há mais esforços se uma área tiver visibilidade. O Parque do Iguaçu, mesmo ameaçado, tem mais apelo porque é uma região turística. A Chapada dos Veadeiros, por sua vez, é isolada e por isso não atrai investimentos e fica vulnerável a atividades como a mineração.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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