
05/04/2016
Quem caminha ou pedala pela Lagoa Rodrigo de Freitas pode não reparar, mas um pequeno animal tem sido alvo de pesquisas de biólogos e de muitas queixas de pescadores locais, preocupados com o próprio sustento e com a vida de um dos principais cartões-postais do Rio. Um mexilhão invasor está tomando conta de todo tipo de superfície, como rochas, boias e estacas, principalmente nas bordas do espelho d’água. Como a Lagoa será palco de provas de remo e canoagem durante os Jogos Olímpicos, em agosto, especialistas temem a possibilidade de a espécie chegar a outras regiões do planeta, já que a competição trará embarcações de atletas do mundo inteiro. A situação é ainda mais preocupante porque, até o momento, não há no local qualquer controle sobre o bicho, que pode eliminar animais nativos, entupir tubulações e corroer estruturas.
As espécies invasoras são consideradas por estudiosos a segunda maior ameaça à biodiversidade do mundo, atrás apenas da destruição de habitats. Ninguém sabe dizer ao certo como nem quando o mexilhão foi parar na Lagoa, mas há dois anos quatro biólogos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) publicaram um artigo na “Marine biodiversity records”, da Associação de Biólogos Marinhos do Reino Unido, dizendo que o bicho seria da espécie Mytilopsis leucophaeata, oriunda da costa atlântica dos Estados Unidos e do México. A identificação foi feita por meio de comparações com o que já havia sido registrado na literatura científica. Se comprovada por exames moleculares, será o segundo registro do animal no Brasil: em julho de 2004, ele foi encontrado em Recife.
Como os “imigrantes” não têm predadores naturais e se multiplicam rapidamente, podem ameaçar as espécies nativas, reduzindo a biodiversidade da Lagoa. Esses mexilhões não são usados para consumo nem afetam a saúde humana.
Segundo os pesquisadores da Uerj, o animal é bem semelhante ao mexilhão-zebra (Dreissena polymorpha). Só que o Dreissena é encontrado em água doce, enquanto o Mytilopsis, em água salobra. Nos Estados Unidos, o mexilhão-zebra chegou a infestar 40% das vias navegáveis, exigindo gastos de quase US$ 1 bilhão, entre 1989 e 2000, com medidas de controle. Também já invadiu boa parte da Europa. No Brasil não há registro dele, segundo o Ministério de Meio Ambiente.
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