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Cientistas brasileiros testam couro da tilápia contra queimaduras

31/03/2016

Cientistas brasileiros acreditam que o couro da tilápia, um peixe de água doce muito comum no país, pode ajudar no tratamento de vítimas de queimaduras.
Uma pesquisa com animais, que durou um ano e acaba de ser concluída, mostrou que o uso da pele do peixe como alternativa ao tratamento é eficaz.
Os resultados foram apresentados no começo deste mês na 2ª Jornada Carioca de Queimaduras e publicados na "Revista da Sociedade Brasileira de Queimaduras".
Hoje, o tratamento de vítimas de queimaduras é feito à base de sulfadiazina de prata, substância que cicatriza os ferimentos num período de 14 dias, em média.
Segundo o cirurgião plástico e coordenador do SOS Queimaduras e Feridas do Hospital São Marcos, no Recife, Marcelo Borges, a expectativa é de que o uso do couro da tilápia proporcione outras vantagens ao paciente.
"O uso da pele do peixe provoca a cicatrização no mesmo período que as pomadas utilizadas hoje. Mas é uma alternativa que, além disso, pode amenizar as dores, diminuir a perda de líquido e reduzir drasticamente o risco de infecção", diz.
Os pesquisadores descobriram semelhanças do couro da tilápia com a pele humana, como grau de umidade, alta qualidade de colágeno e grande resistência. Estudos anteriores tinham testado peles de animais terrestres descartados pelo maior risco de contaminação.
A ideia de utilizar o couro da tilápia na cicatrização de queimaduras surgiu a partir de uma reportagem publicada no Recife sobre o uso da pele do peixe na confecção de peças de artesanato e acessórios como bolsa e sapatos.
A delicadeza e a resistência do material chamaram a atenção do cirurgião. O médico vislumbrou, então, a possibilidade de utilizar a pele como curativo biológico.
"Semanas depois de ler a matéria assumi a coordenação do banco de pele do Imip [Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira]. Comecei a trabalhar com a descontaminação da pele humana e a pensar na possibilidade de fazer o mesmo com a tilápia", diz Borges.

A matéria pode ser lida na Folha de S. Paulo

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