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Casarão em área histórica de Petrópolis é destruído para ampliação de estacionamento

29/03/2016

A demolição de parte de um antigo casarão na Rua Barão do Amazonas, em Petrópolis, feita na sexta-feira, em pleno feriado, causou estranheza e provocou polêmica entre moradores e comerciantes. O imóvel fica próximo à Casa de Santos Dumont e ao relógio de flores, num dos principais pontos turísticos da cidade. A casa demolida já teve vários usos ao longo dos anos. Em meados do século passado, abrigou o antigo Clube 85 — um espaço social, que recebeu esse nome porque só podia ter 85 sócios, de acordo com moradores. Atualmente, parte do imóvel é ocupada por uma loja de chocolates.
No estacionamento rotativo que funciona no terreno da casa, uma placa informa que a obra tem autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da prefeitura. A responsabilidade pela demolição é do engenheiro e empresário Ricardo Luiz Monteiro Francisco, irmão do ex-deputado Roberto Jefferson.
Ricardo não foi localizado na sexta-feira. No âmbito da prefeitura, a derrubada foi autorizada durante reunião do Conselho Municipal de Tombamento Cultural, Histórico e Artístico de Petrópolis. O argumento foi de que, embora fique numa área de interesse histórico, o imóvel poderia ser demolido por não ter valor arquitetônico. A superintendente do Iphan na Região Serrana, Cadice Ballester, também não foi encontrada.
Por sua vez, Maria Guadalupe Plum, que participou da reunião como representante do Instituto Histórico de Petrópolis no conselho, contou que, quando a demolição foi autorizada, a proposta do empresário era construir uma espécie de shopping no local. Atualmente, outra placa na fachada informa que a obra é para ampliação do estacionamento rotativo.
— Eu deixei de integrar o conselho. Ao que eu sei, o Iphan fez várias exigências que levaram a alterações no projeto para adequá-lo ao entorno — disse ela.
O historiador e guia turístico de Petrópolis Marcelo Oliveira reclama que as demolições e alterações em imóveis históricos têm acontecido com frequência na cidade:
— Infelizmente, estamos vendo isso acontecer muito aqui em Petrópolis. Não consigo entender o critério dos órgãos públicos para liberar essas obras. Em alguns casarões, até para pintar, eles exigem saber até qual é a tinta. Já outros são desfigurados, e nada acontece com os proprietários. A prefeitura também tem sido desleixada com isso, autorizando o tráfego de veículos pesados em vias com casarões históricos. Muitos estão rachando por causa da trepidação provocada por ônibus.

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