
22/03/2016
Os efeitos do El Niño sobre o continente africano estão sendo devastadores. De acordo com um documento da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 36 milhões de pessoas estão em condição de insegurança alimentar em países no Sul e Leste da África. As alterações no clima pegaram as autoridades de surpresa. Normalmente, o fenômeno que provoca o aquecimento das águas do Pacífico leva chuvas para a região. Mas, neste ano, causou a pior seca em décadas, com temperaturas recorde.
Em relatório sobre o Sul do continente, o Programa Alimentar Mundial afirma que “a seca relacionada ao El Niño sem precedentes e o estresse climático provocaram o segundo ano de fome e sofrimento para as pessoas pobres e vulneráveis, com sérias consequências que vão perdurar ao menos até a próxima colheita, em 2017”. O El Niño causou, entre outubro de 2015 e janeiro deste ano, a pior seca dos últimos 35 anos, com as maiores temperaturas dos últimos dez anos.
“Previsões de curto prazo indicam alta probabilidade de as chuvas abaixo do normal continuarem na região, sinalizando que esta pode se tornar uma das piores secas da História recente”, diz a agência da ONU. “É evidente que a safra de milho 2015-2016 será insuficiente para cobrir todas as necessidades do cereal para a região sem importação significativa”.
Na região, formada por 13 países, a estimativa é que 15,9 milhões de pessoas já estejam passando fome, sem contar a África do Sul. Zimbábue, Malaui, Lesoto e Madagáscar são os mais afetados, mas outros países, incluindo Suazilândia, Angola e Moçambique mostram sinais preocupantes. A falta de chuva afeta particularmente os pequenos produtores, atingidos pela segunda perda consecutiva na safra. E a queda na produção provoca inflação nos preços, afetando as populações mais pobres tanto no campo como nas cidades.
A República Democrática do Congo é o país com maior número de pessoas em situação de insegurança alimentar, cerca de 4,5 milhões, mas em relação à população, a situação mais crítica é no Zimbábue, com 2,8 milhões de pessoas passando fome, de um total de 9,5 milhões de habitantes. No mês passado, o presidente, Robert Mugabe, declarou Estado de Desastre por causa da seca, que gerou perdas de até 75% da safra em algumas regiões do país.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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