
17/03/2016
A cada 10 grandes cidades brasileiras, 7 perdem 30% ou mais de toda a água tratada. É o que mostra um estudo do Instituto Trata Brasil que analisa a situação do saneamento básico nas 100 maiores cidades do país, que concentram 40% da população.
Segundo o estudo, das 100 cidades analisadas, apenas 7 perdem 15% ou menos da água faturada - índice apontado como ideal. Isso quer dizer que a água é tratada e tornada potável pelas empresas responsáveis, mas uma parte dela não é faturada por causa de vazamentos nas tubulações, ligações clandestinas e erros de medição de hidrômetros.
O estudo do Trata Brasil utiliza os dados mais recentes do Ministério das Cidades sobre saneamento no Brasil, que são de 2014. Além dos índices de perda de água faturada, o instituto analisa uma série de indicadores de saneamento para dar notas e fazer um ranking das 100 cidades analisadas.
A cidade com o pior índice de perdas de faturamento é Manaus, com 75%. O indicador médio é de 41,9%.
"Perder até 30% da água não é nenhuma maravilha, mas as empresas pelo menos conseguem receber o dinheiro de 70% da água tratada, o que é razoável. Agora imagina ter gastos com funcionários e com produtos químicos e ainda não conseguir receber 60%, 70% do que produziu. É um absurdo", diz Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil.
Segundo Carlos, os índices de perdas de faturamento colaboram para formar um ciclo vicioso nas cidades com os maiores indicadores. Isso porque, quanto maior o índice, menor o retorno financeiro, o que diminui os investimentos na própria rede de saneamento.
Ao mesmo tempo, Carlos destaca que são esses investimentos, como trocas de redes antigas e instalação de tecnologias de rastreamento, que fazem com que o desperdício e o roubo de água diminuam. Com menos desperdício, entra mais dinheiro no caixa, e assim a cidade pode investir mais em água e esgoto.
No atual cenário das grandes cidades, porém, em que a maioria tem índices altos de perda de água, o caixa acaba comprometido. Segundo o estudo, das 100 cidades analisadas, apenas 36 investiram mais de 30% do que foi arrecadado com água e esgoto na expansão ou na melhoria dos sistemas de saneamento. Os dados são uma média dos últimos 5 anos com dados de saneamento disponíveis (2010 a 2014).
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