
08/03/2016
A seca atípica no Amazonas por conta do fenômeno El Niño segue castigando e mudando a rotina de milhares de famílias no interior do estado. Quatro cidades da calha do Rio Negro já decretaram estado de emergência. A Defesa Civil informou que 200 toneladas de ajuda humanitária estão sendo distribuídas às cidades nesta semana. A previsão é que o nível do rio volte a subir no mês de abril.
A agricultora Maria do Rosário Rodrigues, 49, mora na Comunidade Piloto, no município de Barcelos, a 399 km de Manaus. Ela conta que a economia da comunidade é baseada no plantio de hortaliças e raízes colhidos no local e vendidos em Barcelos. No entanto, as poucas chuvas registradas no primeiro bimestre do ano dificultaram o cultivo dos produtos e reduziu ainda mais os ganhos dos moradores.
"O sol secou o solo todo e as mudas não vingaram. Antes a gente levava farinha, tapioca, verdura e alguns legumes duas, até três vezes pra vender, agora a gente tem que economizar muito, principalmente nas casas que têm muita gente", relata Maria do Rosário.
Com cinco crianças com idades entre um e 11 anos para sustentar, a agricultora Maria Auxiliadora Silva, 36, lamenta a perda dos produtos na roça.
"Todo ano a gente perde no tempo da cheia, na seca a gente faz o roçado em outro lugar, mas dessa vez não deu pra salvar. Até os peixes não estão vindo mais pra que esses lados. É muito difícil. Meu marido vai se virando, procurando trabalho pra manter a casa e nós vamos levando", conta a agricultora.
De acordo com o líder comunitário Genildo Canauá , 58 famílias moram na Comunidade Piloto. Juntas elas somam 245 pessoas.
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