
08/03/2016
Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre contaminação por mercúrio em índios da Terra Indígena Yanomami, no Norte de Roraima, revela que povos das etnias Yanomami e Ye´kuana têm sido extremamente atingidos, principalmente mulheres e crianças. O nível alto de mercúrio nas pessoas estudadas chega a 92,3%, conforme a pesquisa. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (3) nas comunidades.
A pesquisa usou amostras de cabelos de índios que vivem nas comunidades Papiú, Waikás e Aracaçá, regiões onde há grande exploração de garimpo ilegal de ouro. Os resultados serão apresentados aos órgãos fiscalizadores, ambientais e aos responsáveis pela saúde indígena.
Das amostras colhidas, o estudo constata que os índios Yanomami que vivem em Aracaçá são os que têm índices mais preocupantes.
Foram estudadas 13 pessoas, dessas, 92,3% estão contaminadas com nível alto de mercúrio. O número aceitável, conforme a pesquisadora Cláudia Vega, é de 6 microgramas de mercúrio por grama de cabelo.
Na comunidade Waikás, onde a população é formada por Ye´kuana, foram colhidas 47 amostras. Os resultados revelam 27% de contaminação entre o número de pessoas estudadas. A região de Papiú foi a que teve o menor índice: de 179 indígenas pesquisados, apenas 6% estavam contaminadas com o mercúrio.
"Estamos associando essa diferença de exposição pela proximidade e interações com as regiões de garimpo. Eles ingerem o mercúrio, na maioria dos casos, comendo o peixe contaminado e a substância passa para o corpo. A contaminação afeta todo o sistema nervoso, principalmente o central", explica Cláudia.
Ainda de acordo com a pesquisadora da Fiocruz, a contaminação de mercúrio no corpo pode causar problemas neurológicos, neuromotores e sistêmicos. Entretanto, a pesquisa analisou somente os índices de contaminação.
A matéria na íntegra pode ser lida no G1
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