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Pesquisa descobre que pernilongo pode ser capaz de transmitir zika

03/03/2016

O Aedes aegypti pode não ser o único vilão da epidemia de zika. Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz de Pernambuco, divulgada nesta quarta-feira, em Recife, constatou que os mosquitos da espécie Culex, os onipresentes pernilongos, são capazes de abrigar o vírus, encontrado também na glândula salivar dos insetos, aumentando a preocupação de que eles também possam transmitir a doença pela picada. A bióloga Constância Ayres, que está à frente do trabalho, chegou a essa conclusão depois de infectar em laboratório 200 Culex, os mosquitos mais disseminados em todo o Brasil e com uma população 20 vezes superior à do Aedes. Ela ressalta, no entanto, que ainda é cedo para afirmar que essa espécie possa infectar humanos. Segundo a pesquisadora, que é também vice-diretora de Ensino e Incentivo à Pesquisa da Fiocruz de Pernambuco, ainda são necessários mais estudos.
Para os pesquisadores, os Culex em circulação podem não estar contaminados. Segundo eles, ficou comprovada pelas experiências realizadas em laboratório apenas a capacidade vetorial do pernilongo, o que por si só já é preocupante.
A pesquisa foi divulgada durante o seminário “A, B, C, D, E do vírus zika”, que reuniu mais de 300 especialistas no assunto.
Para descobrir se os Culex transmitem zika — o que poderia ajudar a explicar a rapidez com que a doença se propagou no Brasil —, é preciso ainda fazer uma pesquisa de campo, segundo Constância. Ela pretende, na segunda fase do estudo, coletar cerca de dez mil mosquitos (Aedes aegypti e Culex) em bairros com a maior incidência de zika em diversos municípios de Pernambuco, para verificar se eles estão infectados.
— Nas casas onde acontecem registros de casos de zika, estão sendo coletados mosquitos das duas espécies. Esse material vai para o laboratório, e fazemos testes moleculares para detectar o vírus. Com uma grande quantidade de amostras, poderemos saber se o Aedes é o vetor exclusivo, se existem outros vetores e qual a importância de cada um no papel da transmissão — afirmou Constância ao site G1.

A matéria pode ser lida em O Globo

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