
23/02/2016
O consumo de energia elétrica no Brasil caiu 2,1% em 2015, uma decorrência direta da depressão econômica que o País atravessa. A queda foi puxada principalmente pelo recuo do consumo das indústrias (-5,3%), mas também pelo consumo residencial (-0,7%), segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Tal desempenho é frontalmente contrário às estimativas que haviam sido projetadas pela mesma EPE no ano anterior. Em janeiro de 2014, a empresa contemplava para o período de 2014 a 2023 um crescimento médio anual da demanda total de eletricidade de 4,3%. No mesmo período, a produção de energia elétrica no Brasil precisaria crescer 42.600 megawatts, o equivalente a mais de três usinas de Itaipu, a maior do País. Será mesmo?
É com base nas estimativas da EPE que o governo federal projeta a ampliação da geração de energia, via hidrelétricas, termelétricas e parques eólicos. O governo espera construir e colocar em operação 34 novas usinas hidrelétricas até 2030. Destas, 15 seriam instaladas na Amazônia, todas com elevados custos socioambientais.
As três maiores barragens em fase de construção, licitação ou projetos, todas na Amazônia, são as usinas de Belo Monte, no rio Xingu; de São Luiz dos Tapajós, no rio Tapajós; e a usina de Jatobá, também no Tapajós. Diante do quadro recessivo atual, com perspectivas nada otimistas para os próximos anos, será que elas ainda são necessárias?
“Faz 20 anos que as projeções do governo para o aumento da demanda ficam em torno dos 4% ao ano. São projeções exageradas, que jamais se confirmaram,” afirma Fernando Almeida Prado Jr., especialista em demanda energética e professor da Escola Politécnica da USP.
Prado enxerga no tombo atual no consumo de eletricidade no País uma oportunidade para repensar todos os projetos de ampliação de geração de energia. “É uma chance de o governo se redimir e rever a formulação de estimativas exageradas. Afinal, qual é a melhor opção de geração energética para o Brasil? De quanta energia o Brasil precisa?”, questiona o pesquisador, que publicou com colegas da Universidade da Flórida um artigo sobre essas questões no periódico Renewable and Sustainable Energy Reviews.
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