
16/02/2016
Mente sã num corpo são. O antigo ditado de origem latina que associa o bem- estar físico com o mental tem se mostrado cada vez mais verdadeiro à luz da ciência moderna. Em novo estudo publicado ontem, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston, EUA, encontraram indicações de que o sedentarismo na meia- idade pode levar a uma diminuição do volume cerebral mais tarde na vida. Já outra avaliação de cientistas da mesma instituição americana e da Universidade de Bordeaux, França, também divulgada ontem, detectou uma queda na incidência de demências nos últimos 40 anos, em especial as associadas a problemas vasculares, em paralelo ao declínio na prevalência de fatores de risco cardíaco como tabagismo e hipertensão, apesar da tendência de alta de dois deles — obesidade e diabetes.
Ambas as pesquisas tiveram como base dados do Estudo do Coração de Framingham ( FHS, na sigla em inglês), que desde os anos 1940 acompanha a saúde cardiovascular de moradores dessa cidade no estado americano de Massachusetts. Na primeira, os filhos do grupo original de voluntários incluídos no estudo junto com seus cônjuges passaram por uma avaliação de seu condicionamento físico, com testes de esforço em esteiras, entre 1979 e 1983, quando tinham em média 40 anos. Cerca de 20 anos depois, entre 1998 e 2001, sua saúde cardiovascular voltou a ser avaliada, junto com exames de ressonância magnética do cérebro.
Comparando os resultados nos testes de esforço com os exames de volumetria cerebral, os pesquisadores encontraram uma correlação entre seu condicionamento físico e o tamanho do cérebro, com os que tiveram pior desempenho na esteira apresentando também sinais de envelhecimento precoce do cérebro.
— Achamos uma correlação direta entre o mau condicionamento físico e o volume do cérebro décadas depois, o que indica um envelhecimento cerebral acelerado — resume Nicole Spartano, pesquisadora da Escola de Medicina da Universidade de Boston e primeira autora de artigo sobre este estudo, publicado ontem na revista “Neurology”, editada pela Academia Americana de Neurologia.
Nesta avaliação, os pesquisadores dividiram os voluntários em dois grupos para controlar os resultados pela presença ou ausência de problemas cardiovasculares. No primeiro, 1.583 indivíduos estavam livres dessas condições quando do segundo teste de esforço. Já no outro grupo, totalizando 1.094 pessoas, todos já tinham desenvolvido alguma doença cardíaca ou tomavam remédios para controlar a pressão na segunda passagem pela esteira.
Medindo seu desempenho a partir de um indicador conhecido como VO2 Máximo, que mostra a quantidade máxima de oxigênio que o corpo pode usar em um minuto durante um exercício físico cada vez mais demandante, eles verificaram que, na média dos dois grupos, a cada oito unidades a menos no resultado do teste de esforço, o volume do cérebro duas décadas depois era menor no equivalente a dois anos de envelhecimento. Já excluindo o grupo que apresentava problemas cardíacos ou tomava remédios quando do segundo teste, essas mesmas oito unidades a menos no desempenho foram associadas à perda de volume cerebral equivalente a um ano de envelhecimento.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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