
26/01/2016
A perereca deu trabalho. Com dois centímetros de comprimento, ameaçada de extinção, ela ficou conhecida por provocar um atraso nas obras do Arco Metropolitano do Rio, obrigando o governo do estado a gastar R$ 18 milhões na construção de um viaduto para evitar — por exigência de órgãos ambientais — a destruição de seu habitat natural. Pouco mais de um ano depois da inauguração da rodovia, um levantamento detectou que a Physalaemus soaresi está procriando como nunca na área protegida. A vocalização (cantoria) dos machos para atrair a fêmea ecoa por toda a área.
Já se especula até a hipótese de ocorrer uma superpopulação da espécie, o que causaria um desequilíbrio ambiental. Mas o diretor-executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental, Vicente Loureiro, garantiu não estar preocupado.
— Se isso virar um problema, será possível a gente resolver com medidas pequenas — disse Loureiro, levantando a possibilidade de controlar a população de anfíbios com o uso de drenagem dos banhados que servem como locais de reprodução.
A espécie vive na área da Floresta Nacional Mário Xavier, de responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Seropédica. O chamado Viaduto das Pererecas fica no Km 98 do Arco, próximo à alça de acesso à Rodovia 465 (antiga Rio-São Paulo).
A Physalaemus soaresi se reproduz na estação chuvosa, entre outubro e fevereiro. Machos vocalizam em áreas alagadas, onde constroem ninhos de espuma flutuante.
Saiba mais em O Globo
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