
26/01/2016
Considerada uma das maiores vilãs do meio ambiente, a pecuária pode contribuir para retirar gases de efeito estufa da atmosfera. Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros e escoceses no Cerrado avalia que o estímulo à intensificação das áreas de pastagens e a recuperação das áreas degradadas aumentariam a capacidade de absorção de carbono no solo. O Brasil é o maior exportador de carne bovina no mundo.
Líder da pesquisa, o matemático Rafael de Oliveira Silva, pesquisador da Universidade de Edimburgo, desenvolveu um novo modelo para medir o impacto ambiental causado pela pecuária no Cerrado. Entre os ambientalistas vigora a ideia de que, se a demanda por carne diminuir, a pecuária será inibida e a área ocupada pelo gado passará por um processo natural de recuperação. Rafael, no entanto, aposta que o mercado vai expandir. E que é possível seguir este caminho sem apelar para o desmatamento. Até a liberação de metano produzido pelas flatulências dos bois poderia ser neutralizada.
— Se a demanda for maior, os pecuaristas precisarão intensificar sua atividade — ressalta Rafael. — Para isso, eles precisarão recuperar as pastagens degradadas. O solo é capaz de absorver uma grande quantidade de carbono. Ainda teremos emissões de metano, mas elas serão compensadas pelos gases retirados da atmosfera.
O Brasil conta com aproximadamente 170 milhões de hectares de pastagens. Mais da metade apresenta algum nível de degradação, assinala o pesquisador. Há, por isso, área suficiente para que o pecuarista trabalhe sem precisar derrubar árvores. A recuperação das áreas degradadas é essencial para traçar o futuro da pecuária no Cerrado. Se a demanda por carne aumentar 30% até 2030, haveria uma redução de 10% das emissões.
— É uma região imensa que pode absorver carbono por décadas. Por isso, a produção de carne só deve aumentar as emissões a partir de 2120 — calcula. — Considerando que o boi brasileiro só come pastagem, e presumindo que não haveria mais desmatamento, então comer carne pode ser benéfico para o meio ambiente.
Os autores do artigo destacam que, seguindo a nova cartilha, as emissões de carbono seriam menores em todas as etapas de produção da pecuária, inclusive as associadas ao uso de insumos e ao transporte.
A invasão da agropecuária do Cerrado rumo à Amazônia causou danos visíveis à floresta. Desde os anos 1960, este bioma perdeu cerca de 15% de sua área — 80% usados como pasto. E o Cerrado foi devastado.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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