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Peso do pescado global é subestimado, diz pesquisa

21/01/2016

O total de recursos retirados anualmente dos oceanos mundiais vem sendo altamente subestimado. Esta é a conclusão de um estudo publicado ontem pela revista científica “Nature Communications”. A pesquisa alerta que, somente em 2010, a captura de peixes ao redor do globo foi 30% maior do que o registrado por organismos oficiais. Segundo o trabalho, que analisou dados de 200 países, números relatados pelos governos à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) dizem que, naquele ano, foram pescadas 77 milhões de toneladas de animais. Entretanto, a pesquisa estima que o número real foi de 109 milhões de toneladas. A diferença, de 32 milhões de toneladas, equivaleria a um peso maior do que o de toda a população dos EUA.
Os pesquisadores da Universidade de British Columbia, no Canadá, atribuem a diferença à falta de estatísticas sobre as pescas artesanais ou ilegais e sobre o total de pescado descartado. Normalmente, diz o estudo, os países encaixam em suas contas apenas o que foi extraído do oceano pelas atividades industriais.
Professor do Departamento de Zoologia da British Columbia e um dos autores do estudo, Daniel Pauly diz que é como se o mundo estivesse “retirando de sua conta bancária conjunta um valor ignorado”.
— É melhor estimar corretamente a quantidade de peixes que estamos retirando dos oceanos. Desta forma, saberemos se sobrou o suficiente para nos sustentar no futuro — observa Pauly. — O modo como os países ignoram diversas atividades pesqueiras não relacionadas à indústria têm um grande impacto sobre os números oficiais.
Ainda de acordo com o levantamento, que analisou dados globais de 1950 a 2010, a produtividade da indústria pesqueira está caindo a uma velocidade três vezes maior do que a estimada desde o seu auge, em 1996. Esta queda drástica é atribuída pelos cientistas à exploração predatória dos recursos marinhos, que, com isso, estão se tornando escassos. Trata-se de uma ameaça à segurança alimentar no futuro, já que a pesca é a principal fonte de proteína para 2,5 bilhões de pessoas.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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