
21/01/2016
O título de ano mais quente da História tem dono inconteste. A Nasa e a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA (Noaa) anunciaram ontem que 2015 terminou como o mais tórrido desde o início dos registros, em 1880. Destacaram que 15 dos 16 anos mais quentes ocorreram desde 2000 — a única exceção foi 1998, dominado por um forte episódio do fenômeno El Niño — numa série que confirma as previsões sobre mudanças climáticas associadas à ação humana.
E 2016 já começa com eventos climáticos surpreendentes. Dois furacões se formaram em pleno inverno do Hemisfério Norte este mês. Normalmente, os furacões precisam de águas excepcionalmente quentes para se desenvolver e, por isso, ocorrem no verão. Um deles, batizado Pali, se tornou o primeiro já registrado tão cedo no ano na História no Pacífico Central. O outro, Alex, além de ser o quarto furacão de inverno em 150 anos, é o mais ao Norte já formado.
De acordo com a Nasa, em 2015 o Brasil teve temperaturas recordes do Rio de Janeiro ao Amapá, excluindo trechos do litoral nordestino. O El Niño em ação desde o fim do ano passado não deve ser o único responsável pelo calor. Segundo as agências americanas, ele só intensificou a tendência de aquecimento da Terra associada às mudanças climáticas.
Até agora, o ano mais quente já registrado tinha sido 2014. Climatologista da Universidade Estadual da Pensilvânia, Michael Mann calcula que, se não houvesse aquecimento global, as chances de que um ano com recorde de temperatura fosse superado pelo ano seguinte seria de apenas uma em cada 1.500. Dado o fato de que o planeta está se aquecendo, as chances tornam-se muito maiores — cerca de uma em dez.
Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, acredita que os índices elevados alcançados em 2015 logo serão batidos.
— As temperaturas foram notáveis mesmo sem a contribuição do El Niño. O aquecimento que vemos agora é resultado de um efeito cumulativo — assinala. — Não há evidências de pausa no aumento dos termômetros. Isso é cada vez mais óbvio.
Estima-se que, se não houver qualquer medida para controle das emissões de gases-estufa, a temperatura global pode avançar 2 graus Celsius até 2040, em relação aos registros anteriores à Revolução Industrial. No entanto, em algumas regiões este índice pode chegar já na próxima década. É o caso do Brasil, de trechos dos EUA e do Mediterrâneo, segundo um estudo assinado por cientistas do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique na edição desta semana da revista “Nature”.
Saiba mais em O Globo
Aranha-lobo ‘dá um passeio’ pelo Aterro do Cocotá, na Ilha do Governador
13/08/2026
Fotógrafo brasileiro registra eclipse total na Espanha e flagra coroa solar e ‘anel de diamante’; veja IMAGENS
13/08/2026
Nova espécie de planta é descoberta em fotografias de observação de aves no ES
13/08/2026
Saúde das baterias impulsiona economia circular dos carros elétricos
13/08/2026
Calçada da ´Fauna´: conheça espécie de animal vermelho que ganhou pegada eternizada em Gramado
13/08/2026
Brasil perdeu 14% da cobertura de vegetação nativa em 41 anos, aponta MapBiomas
13/08/2026
